Em mais um de seus discursos motivacionais-populistas, Lula disse que poderia ser um dos inscritos no ProUni depois que encerrasse seu mandato como presidente ? mas s? se for para fazer este curso.


Livros ocupam as m?os e a mente. Pe?as teatrais exigem palcos, luzes, figurinos e trupes. Pinturas custam caro e muitas vezes t?m aspecto duvidoso, assim como esculturas, que al?m do mais costumam ser pesadas ou grandes demais. Obras de arquitetura ? se ? que existem como arte ? trazem a reboque o ego inflado de seus autores. E a M?sica? Ah, a M?sica…
Quem tem o lisonjeiro h?bito de acompanhar este blog sabe que em dezembro passado assisti ? 9? Sinfonia de Beethoven, magistralmente executada pela Orquestra Sinf?nica de Santos. O ingresso custou 10 dinheiros. Neste momento, ou?o a mesma m?sica em meu computador. O arquivo MP3 n?o me custou nada. O CD poderia ser encontrado por uns 15 dinheiros. E a 9? — eia — ? considerada uma obra de arte t?o perfeita quanto a Monalisa de Da Vinci, O Pensador de Rodin, as pe?as de Shakespeare, as obras de Homero e as casas de Lloyd Wright. Ela n?o ocupa as m?os, deixa a mente livre e o cora??o exultante, n?o esvazia os bolsos de quem a admira.
Mas ? claro que eu estou falando de M?sica (atente ao M mai?sculo), daquilo que se fez at? o comecinho do s?culo XX, daquilo que Palestrina e Stravinski fizeram com todo cora??o, respeitando o ouvinte que espontaneamente se dirige ? sala de concerto ou compra um CD. Perdoe, mas o que veio depois n?o ? M?sica. Voc? n?o pode colocar Bach e Latino na mesma prateleira. Ou Telemann e Katinguel?. N?o pode.
Voc? pode at? ignorar os mestres e continuar ouvindo Latino e Katinguel?, mas, por amor ? M?sica, coloque-os no devido lugar. O fracasso e o sucesso cultural de um pa?s s?o uma quest?o de justi?a (dar a cada um aquilo que lhe ? de direito), n?o de gosto. Pa?ses desenvolvidos n?o s?o necessariamente aqueles em que os mestres s?o mais ouvidos e apreciados, mas aqueles em que os mestres s?o respeitados como tais.
Com o ProUni (universidade para todos) e a campanha do otimismo (o brasileiro não desiste nunca), o Governo Federal diz com todas as letras qual o tipo de Brasil que pretende para daqui uns anos: um lugar cujo lema é “a ignorância é uma bênção”, onde o rei pode andar nu sem riscos e onde, afinal, a sabedoria vale menos que um arroto.
Para entender um pouco mais este país, clica aqui. Para variar, Friedrich Hayek estava certo.

Aos 31 anos eu n?o posso ser considerado velho, mas a pele marcada, a mudan?a no vigor f?sico e o cabelo cada vez mais escasso dizem o oposto; dizem que o tempo passa e que meus primeiros retratos est?o cada vez mais emba?ados. Eu at? estou me tornando religioso, o que ? uma esp?cie de preparo para o resto dos meus dias, que, embora n?o sejam resto, s?o menos de 2/3 do todo, numa proje??o exageradamente otimista.
As coisas poderiam ser diferentes, com uma juventude religiosa e solene, uma maturidade apaixonada e incendi?ria e uma velhice infantil, instintiva e sem palavras. N?o pela diferen?a, mas para que a vida pudesse ser melhor aproveitada. De que forma aproveitar a vida seguindo seu curso natural? Escrevendo, talvez?
janeiro 24, 2005
2º Intensivo de Verão da Associação Pesquisa de Aikido
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O problema de treinar com verdadeiros cavalheiros é ficar mal acostumado. Voltei de São Paulo com a firme e ingênua crença de que no mundo todos são tão bons como os mestres que gentilmente se dispuseram a compartilhar suas experiências, habilidades e conhecimentos.
Decerto o mundo não é assim, mas a tristeza dessa lembrança é rapidamente preenchida pelo desejo de seguir adiante e pela crença de que esforço e disciplina seguramente me conduzirão para perto de onde estão as pessoas que tanto admiro.
Aliás, vale citar as palavras do mestre Shinichi Suzuki, Ki-Aikido Shihan: “Um professor comum sabe explicar. Um bom professor sabe demonstrar. Só o mestre é capaz de inspirar.”
