dezembro 21, 2005

Natal

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Natividade, Correggio (1490-1534)

Para este Natal, o Papa Bento XVI j? transmitiu a mensagem essencial, com palavras irretoc?veis.

Este ano eu me arriscaria a complementar a mensagem do Santo Padre com a seguinte sugest?o. ? noite que antecede o dia 25 de dezembro, quando estiver com sua fam?lia, diante dos alimentos que comp?em sua ceia, pergunte-se: por que estamos aqui reunidos? qual a raz?o disso tudo?

Enquanto houver quem encontre respostas no cora??o, na alegria simples e genu?na de estar reunido com os seus, na hist?ria daquele que trouxe luz ao mundo, haver? sentido na data que celebramos todos os anos.

*
A todos, um feliz Natal. Que a luz do Senhor esteja sempre conosco.

dezembro 19, 2005

Sucesso

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“Eu escrevo para desopilar o f?gado.”

Quantos escritores podem dizer isso?

dezembro 15, 2005

Pausa

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Voc? est? sendo filmado.

“Eu j? tinha chego” ou “eu devia ter chego” (chegado) eu j? ouvi v?rias vezes. Mas “eu j? tinha trago” ou “eu devia ter trago” (trazido) era novidade pra mim at? hoje de manh?.

Mas n?o surpreende. Ali?s, ultimamente — atendo-me ?s quest?es ling??sticas — a ?nica coisa que me causaria surpresa seria ouvir (ou ler!) um adolescente acertando nas concord?ncias e reg?ncias.

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Por favor ou?a isto:

Fazenda 83. Ao viol?o, Andr? Geraissati.

(Se houver problema no link ou no download, me avisem)

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Por falar em m?sica, onde n?o h? qualquer tipo de senso est?tico — isto ?, em 90% da popula??o — pode-se apresentar algum atrav?s da m?sica e de outras formas inusitadas.

Professor meu de hist?ria da arte, primeiro dia de aula na faculdade, demonstrou isso de forma muito simples: luzes apagadas, Allegro con brio da sonata para piano op.53 em d? maior, de Beethoven, a todo volume. Depois disso, bombons Sonho de Valsa, degustados lentamente e com tempo suficiente para apreciar-lhes a textura, o sabor residual, a embalagem e outros pormenores (at? ent?o eu nunca havia prestado aten??o naquele pl?stico cor-de-rosa).

Desnecess?rio dizer que tudo o que veio depois — principalmente o nauseabundo O que ? Ideologia da chef Marilena Chau? — pareceu tolo demais perto de Beethoven e daquele Sonho de Valsa.

dezembro 12, 2005

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“Se ainda há um pouco de moral e dignidade no mundo, é porque algo da consciência de ser visto por um observador onissapiente, imune às flutuações da alma individual e da platéia coletiva, subsiste no coração humano. Em plena apoteose do laicismo moderno, ainda há muitos seres humanos que caminham diante dos olhos do Senhor. Eles são a única régua e medida para o julgamento dos demais. Por isso o Evangelho diz que vão julgar o mundo. O que os outros pensem ou deixem de pensar não pesa nisso no mais mínimo que seja.”

Trecho de Consciências deformadas, de Olavo de Carvalho.

dezembro 12, 2005

Estética

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Cemitério da Consolação, tarde de sexta-feira, 9 de dezembro

Se fosse necessário definir a cidade de São Paulo em uma única palavra, esta palavra seria “nojeira”. Os rostos das pessoas nos ônibus e no metrô; o trânsito que há muito já deixou para trás tudo que a palavra caótico poderia expressar; esbarrões e a total ausência de silêncio; acepipes gordurosos em lugares pestilentos; aquela dificuldade cruel para ver o céu e sentir o vento. E a pressa, todo o tempo. Tudo isso dá nojo.

Mas é também por sua nojeira que São Paulo vale a pena. No meio do lodo surgem pessoas, idéias, visões, cores e silêncios — e destas coisas as boas vidas são feitas, e elas são maravilhosas porque, afinal, surgiram onde menos eram esperadas.

Enquanto houver humanidade e senso estético, haverá vida.

dezembro 5, 2005

Bodegas

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Cansei de ouvir essas frases. Eu as amaldiçoo, todas elas:

É na adversidade que o indivíduo amadurece.
Ninguém amadurece recebendo chutes, levando tombos ou sendo desmoralizado. A maturidade vem depois, quando a tempestade se foi e é possível observar os estragos que ela deixou. Com a observação vem a compreensão, e com a compreensão vem todo o restante — consciência e maturidade.

Seja o que você é, não o que os outros querem que você seja.
É possível ser o que não se é? E é realmente possível não ser aquilo que outras pessoas gostariam que você fosse? Levada adiante, a frase acima pode significar tanto uma revolução total na própria vida quanto aquela atitude epicúrea de retirar-se e deleitar-se no ócio filosófico. Ou seja, ela não significa nada.

O que tiver que ser, será.
O quê tem que ser? Compare essa frase com esta, de Lipot Szondi: “A escolha faz o destino” — e em seguida vá cuidar da sua vida.

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