Christian Rocha
junho de 2006
A Prefeitura disponibilizou em seu saite um formulário através do qual o cidadão pode participar da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2007 (LDO). Aos internautas, sugiro que acessem o saite e dêem suas sugestões sobre os diversos setores da administração municipal. Por menos que elas sejam aproveitadas (não serão, é claro; exceção será feita às sugestões que coincidam com aquilo que já corre na cabeça dos caciques de Ilhabela), é bom pôr os miolos para funcionar. Ilhabela precisa de miolos.
Se o saite da Prefeitura aceitasse textos mais longos, eu mandaria o seguinte para a LDO2007:
Há noventa e duas semanas consecutivas as bandeiras vermelhas não aparecem nas praias ilhabelenses. Freqüentadas por famílias que dispensam farofa, trilha sonora e cães, essas praias são reconhecidas internacionalmente por suas águas cristalinas e calmas e pela fauna marinha diversificada. A praia do Portinho foi listada na mais recente edição do Ultimate Tourist Digest como uma das dez melhores do mundo, superando até mesmo a espetacular praia do Itaguassu, onde deságuam dois riachos em que o turista e o morador podem encontrar a mais pura água mineral, rica em propriedades terapêuticas.
Não são só as praias de Ilhabela que causam inveja no resto do mundo. Os indicadores sociais ilhabelenses também foram destaque na última Cúpula dos Perfeitos, o encontro que reúne representantes das 20 cidades brasileiras com melhor qualidade de vida e que este ano aconteceu em Belford Roxo. Os indicadores sócio-econômicos têm mantido Ilhabela no topo dessa lista há 29 anos. A inexistência de favelas, a integração entre cidade e natureza, a total erradicação do analfabetismo (inclusive funcional) e do desemprego são fatores que tornam Ilhabela uma cidade-modelo.
Os planos de segurança pública de Ilhabela têm sido referência para o resto do país. A eficiência do policiamento preventivo, as ações de fiscalização que acontecem diariamente na travessia marítima e a investigação de fazer inveja à Interpol, associadas a um nível de vida suíço, reduziram a criminalidade a zero. A última ocorrência em Ilhabela foi registrada em 1981, quando um pescador foi pego furtando um anzol nos arredores do pier do Perequê. Por estes e outros motivos, empresas de segurança não encontram perspectivas de sucesso em Ilhabela. Definitivamente, por aqui o crime nunca compensou.
Poucas casas têm muros e a maioria mantém suas portas e janelas abertas nos dias quentes. As ruas e praças de Ilhabela são espa?os comunitários limpos, tranqüilos, onde crianças brincam livremente e famílias inteiras se encontram para conversar e celebrar a maravilha que é viver neste lugar.
Há décadas a população não ultrapassa os 3 mil habitantes e a cada ano observa-se um sutil decréscimo nesse total. Isso torna o mercado imobiliário totalmente desnecessário e inviável e permite que o Parque Estadual amplie sua área, chegando mesmo à orla das praias, como ocorreu com a Praia do Perequê - hoje, área de preservação permanente. Nela há apenas um pequeno rancho de pesca, tombado como patrimônio histórico.
Todos os vereadores de Ilhabela têm PhD em Universidades americanas e européias. As divergências não acontecem, já que a compreensão é mútua e total. A Carta de Ilhabela, como é conhecido o documento que rege a vida no município, foi escrita em 1891 por Rui Barbosa e é tida como sua maior obra de literatura legislativa. Com base nas leis escritas pela Águia de Haia, a política local é um encontro de cavalheiros.
O turismo praticado em Ilhabela é extremamente civilizado; só são aceitos turistas que participam do Curso de Preparação de Turistas, oferecido duas vezes por ano por um convênio entre diversas secretarias municipais. Embora o acesso de automóveis seja proibido, isto não constitui um problema pois Ilhabela conta com um sistema amplo de ciclovias projetado por arquitetos espanhóis. O transporte público (gratuito) aproveita o potencial hidroviário do Canal de São Sebastião e é equipado com quatro hovercrafts movidos a hidrogênio.
Irreal? Bem, tem gente que chama Ilhabela de paraíso…

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