setembro 28, 2006

Sabedoria

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laotse

“Para ganhar conhecimento, adicione coisas todos os dias. Para ganhar sabedoria, elimine coisas todos os dias.”Lao Ts?, fundador do Tao?smo.

setembro 26, 2006

Recentes

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arms

A zelite“O problema de criticar a elite no Brasil ? que se voc? sabe soletrar “elite”, voc? ? elite.” — frase de um amigo meu, num papo no MSN. Apropriad?ssima.

BeOS — mais r?pido que Linux? ? a promessa do BeOS, um sistema operacional alternativo muito popular na Alemanha e no Jap?o, especialmente adequado para aplica??es multim?dia. A julgar pelo que tenho lido e pelas screenshots que tenho visto (1, 2, 3), ele cumpre o que promete. Em breve devo rod?-lo aqui no meu PC e se der certo postarei minhas primeiras impress?es aqui. Se n?o der, voc?s saber?o pelo tempo que ficarei sem postar enquanto adquiro um novo PC…

A coisa-em-si — estudar a modernidade ? padecer… e isso n?o tem nada com o para?so. A pessoa s?ria, estudiosa, inteligente, n?o se sente rid?cula quando menciona “a coisa-em-si”? Ganha um chokito quem me explicar esse conceito. Mas antes de ir babando ? caixa de coment?rios (eu tamb?m gosto de chokito), leia isto.

Mem?rias do subterr?neo — voc? conhece algu?m que vota em Lula? Nem eu.

Cruze os bra?os — n?o se trata de uma apologia ? greve (se voc? for empregado em alguma empresa) ou ? pregui?a (se voc? for daqueles que buscam uma desculpa, qualquer uma, para a procrastina??o). ? apenas um exerc?cio bobo. Cruze os bra?os. Agora inverta a posi??o do cruzamento: por exemplo, se antes o bra?o esquerdo estava sobre o bra?o direito, coloque o bra?o direito sobre o esquerdo. Preste aten??o ? sensa??o que lhe vem quando voc? acomoda o corpo ou partes do corpo de uma forma incomum. Algo parecido ocorre quando entrela?amos os dedos — ora come?ando com o polegar esquerdo sobre o direito ou o contr?rio. Agora pense em reproduzir essas sensa??es sem recorrer a rearranjos de dedos e bra?os, sem recorrer a novas posturas. Que sensa??es s?o essas? De onde elas v?m? Por que fixamos certas posturas e estranhamos tanto quando as compomos de uma forma a que n?o estamos acotumados?

setembro 19, 2006

Eleições 2006

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Como diria Daniel Piza, eis por que não me ufano:

- 98% dos deputados federais tentam a reeleição.

- Paulo Ricardo (aquele, do RPM), Clodovil, Frank Aguiar (”AUUUU!”), Maluf, os mensaleiros João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto, o ex-ministro Palófi, Celso Pitta, Aurélio Miguel (o judoca), Ângela Guaxinin (aquela da dança da pizza) e outros personagens folclóricos são candidatos a uma vaga de deputado federal.

- E muitos deles vão ganhar. Aqui em minha cidade as ruas estão forradas de banners do Costa Neto.

- A oposição não apenas não bate em Lula como às vezes o trata a pão-de-ló. Alckmin, seu principal antagonista, conseguiu ser mais molóide do que Serra na eleição de 2002.

- Numa propaganda política na TV, vejo um candidato à Câmara dizendo que foi processado por defender o movimento negro. De duas uma: ou ele escreve muito mal (porque não expressou corretamente a idéia que pretendia passar) ou mente muito mal (porque ninguém é processado por defender uma causa, já que juridicamente defesa pressupõe que o sujeito foi atacado antes). Nos dois casos, fica evidente o tipo de candidato que ele é: um analfabeto funcional ou um mentiroso.

- E você acha que ele é one-of-a-kind?

- Este texto, mesmo já sendo parte do folclórico domínio público da internet, não deixa de revelar uma face preocupante da democracia brasileira.

- Nada mudou desde 1989. Veja aqui trechos do debate entre candidatos à presidência daquele ano (via Marcio Guilherme e YouTube).

- No Brasil, a festa da democracia é mascarada como o carnaval de Veneza e promíscua como o carnaval de Salvador.

setembro 18, 2006

Enquete

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Eu sei que discussões sobre justiça e direito são longas, complexas e raramente conclusivas. Eu sei que o Brasil possui uma estrutura tributária definida e a Receita Federal é um dos poucos órgãos públicos que realmente funcionam (o seu e o meu bolso sabem por que). Mesmo assim, não custa perguntar, à maneira de Thoreau:

Você acha justo pagar para trabalhar?

A pergunta é válida inclusive para aqueles que não são liberais ou autônomos, porque cada empregado tem um custo para uma empresa, independentemente de seu porte. Um arquiteto paga em média R$600,00 por ano para trabalhar — R$200 pela anuidade do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) e R$400 de imposto sobre serviços (ISS), pagos à prefeitura local (este valor, é claro, pode variar conforme a lei tributária municipal).

É claro que toda pergunta do tipo “É justo…?” afirma nas entrelinhas que a resposta mais correta é “não”. É exatamente esta minha opinião. Não acho justo pagar para trabalhar, mas insisto que a questão não é tão simples quanto parece, quanto a resposta subliminar sugere. Por exemplo, o dinheiro dos impostos sobre o trabalho é usado, entre outras coisas, na manutenção de infra-estrutura e serviços públicos. Assim, espero que você, leitor, possa chegar a uma opinião não com base no que digo aqui, mas com base em suas reflexões próprias sobre o assunto.

Retornarei a essas discussões em breve. Por enquanto, deixo esta quase-enquete e o tema para reflexão. Por favor, deixe sua opinião na caixa de comentários.

A todos muito obrigado.

setembro 18, 2006

Recentes

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Caravana JN em passagem por Dragunhanh?m.

Eu me afasto por uns dias da realidade e tanta coisa acontece. Aproveito-me delas tardiamente, apenas por divers?o, pois logo terei que me afastar dela de novo.

O dem?nio de Lula — Lula precisa de uma sess?o de descarrego, como aquelas da Universal ou da Igreja Pentecostal Loucuras de Meu Deus. Algu?m duvida?

Aikido-porrada — Eu me surpreendo com minha paci?ncia para com sujeitos que (ainda) dizem “Eu s? queria ver como um mestre de Aikid? consegue realmente derrubar um agressor”. Este pedido ? um sintoma de um erro comum entre leigos ou aikidoka iniciantes: imaginar que arte marcial ? para lutar. S?o raros os casos de pessoas que precisam do Aikido para lutar, como no caso de seguran?as, policiais e outros profissionais desse tipo. Curiosamente, vejo que a propor??o de aikidoka que se envolvem em algum tipo de luta ou conflito f?sico ? muito menor do que em outras artes marciais. Um pouco maior ? o n?mero de praticantes que usam o Aikido para evitar conflitos desse tipo.

Talvez estes fatos signifiquem algo e, sobre isso, eu me pergunto constantemente “por que?”, o que, a meu ver, ? o m?nimo que se espera de um estudante s?rio. Submeter-se ?s perguntas que apressadamente lan?a sobre o objeto de seu estudo ? reconhecer uma verdade evidente: ele e seu objeto de estudo est?o no mesmo patamar, no mesmo n?vel de realidade.

O jeito Rede Globo de desfazer TV — A Caravana JN Acabou? Ainda n?o? Que pena. ? indigesta a poesia de estudante de Pedro Bial. Exemplo: uma prosaica casinha na beira de um rio; vai o Pedro Bial: “Uma simples casa com tr?s janelas, duas para o rio, uma para o c?u”. Olho para a imagem e vejo uma casa com duas janelas apenas. A terceira janela era uma antena parab?lica. Argh.

Qual era o objetivo da caravana? Mostrar o “Brasilz?o de meu Deus”? Me poupe. N?o bastaram, pouco tempo atr?s, o (argh) Kubrusly e a (ultra-mega-argh) Regina Cas??

A caravana JN saiu do nada e chegou a lugar nenhum. Os arredores do Projac n?o eram laborat?rio suficiente para estudar os problemas brasileiros? (Ali?s, por que Projac e Prozac s?o palavras t?o parecidas?)

Polititica — pelas ruas de S?o Paulo descubro um tipo que maltrata muros e postes com mais freq??ncia e facilidade do que pixadores (a.k.a. grafiteiros): candidatos a cargos pol?ticos. Poucos muros foram poupados. Pergunto ?s pessoas ao meu redor: “Voc? votaria num candidato porque viu seu nome e seu n?mero estampados num muro?”. Todos dizem que n?o votariam, mas tenho que admitir que as pessoas que eu conhe?o n?o s?o do tipo que votariam, que s?o em n?mero bem maior. Quest?es semelhantes valem para candidatos que usam carros de som, panfletos e com?cios. Neste caso McLuhan estava certo: o meio ? a mensagem.

Ali?s, com alguma satisfa??o vejo que um de meus candidatos escolheu divulgar seu nome em bicicletas: tr?s ciclistas levam pequenos banners com seu nome e n?mero por uma das principais avenidas de S?o Paulo. A propaganda emprega tr?s pessoas, chama a aten??o, n?o ? poluente, n?o ? barulhenta, n?o atrapalha o tr?nsito. O cara pode at? n?o ser eleito, mas j? deu o exemplo. Como n?o fa?o propaganda pol?tica neste saite, quem quiser saber o nome dele, mande-me um e-mail.

Ofensas, horas dentro de um ônibus, a lentidão de um motorista, cansaço, náuseas, longos minutos de espera na travessia marítima, indivíduos barulhentos, grosseria, grosseria. Meu humor tende a concluir que a realidade é insuportável e irritante, mas isto é um recorte muito pessoal do mundo. A irritação não é a realidade, mas a parte que me é visível. Um pouco de egoísmo me leva a confundir a parte e o todo e a admitir que a parte é o todo. E assim o egoísmo causa miopia. Essas partes — grosseria, cansaço, longa viagem — são fragmentos da realidade. Óbvio.

Neste momento alguém dorme, alguém lê, alguém se delicia com um bom alimento ou com o amor da pessoa amada. Neste momento alguém se compraz com a iminência de uma grande realização ou com poucos e preciosos minutos de silêncio. Coisas boas acontecem quase na mesma medida de coisas ruins. O milagre e a ruína acontecem com freqüências semelhantes. Eu não repetiria aqui aquela história do copo meio cheio (ou meio vazio). Não é uma questão de otimismo ou pessimismo. Otimismo e pessimismo são o egoísmo arremessado à realidade, algo como “prefiro que seja assim” e a miopia a que me referia instantes atrás. É uma questão de perceber que somos pequenos demais para dizer o que é a realidade, para afirmar qual é sua substância. Onisciência, só para Ele.

*
Por falar n’Ele, ouço com freqüência alguns engraçadinhos desocupados mencionando a Bíblia Satânica para confundir crentes desacostumados ao estudo e à reflexão e repetindo ad nauseam a pergunta “Deus pode criar um pedra que Ele não consiga erguer?” como forma de questionar a onipotência divina — e, portanto, pôr em dúvida todo o resto. Se Ele não pode criar uma pedra desse tipo, Ele não é onipotente. Se Ele pode criar a pedra, mas não pode erguê-la, também não é onipotente. Logo, Deus não é onipotente e, assim, talvez nem exista. Aos sofistas que tanto prezam esta brincadeira de mau gosto, meus cinco centavos:

Deus pode tudo, é claro. Assim, Ele pode se tornar duplo e conseguir e não conseguir erguer a pedra ao mesmo tempo, sem que isso fira Sua onipotência. Ainda que isso possa ferir a lógica tal como a conhecemos, Ele — justamente por ser onipotente — pode criar a realidade que melhor Lhe couber, sem ter que atender ou se sujeitar a qualquer lógica senão a Sua própria. Deus está acima da lógica e das perguntas humanas.

Chega a ser engraçado ver uma pessoa tentando fazer perguntas sobre Deus sem ter feito qualquer esforço para percebê-Lo, sem ter abdicado por instantes da empáfia que insiste em afirmar que somos deuses, como se a onipotência divina nos fosse possível, como se perguntas como a da Bíblia Satânica não fossem a prova de nossa própria impotência. Chega a ser engraçado querer perguntar certas coisas ao Criador ou a respeito d’Ele sem se submeter a Seu crivo. Como diria Nietzsche, isso é demasiado humano.

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