O valor que mais cultivo é o conhecimento. Certa vez, em uma audiência judicial, um juiz me defendeu como me defenderia minha mãe. "Este homem nunca teve tempo de ganhar dinheiro, passou sua vida estudando". Estudando, continuo até hoje. Não tenho maior apreço por quem ostenta fortuna ou poder. Vivemos dias em que sucesso é um valor. Conheço pessoas de bom nível cultural que invejam o Supremo Apedeuta: "Ele teve sucesso". Tenha o sucesso que tiver, pessoa inculta para mim não vale um vintém. Respeito o analfabeto que não teve condições de alfabetizar-se. Não tenho respeito algum por quem, tendo a chance de educar-se, não se educou. Tenho mais respeito por minha faxineira, que surpreendi outro dia lendo Machado de Assis. Quem me acompanha sabe que abomino aquele carioquinha. Mas melhor ler Machado que não ler nada. Urge acabar com esse mito de que alguém vale alguma coisa só porque é presidente da República, bispo de Roma ou sabe chutar uma bola.
Janer Cristaldo, matando a pau em Triste país este o meu.
Christian Rocha
Jornal da Ilha - outubro de 2006
Ano eleitoral é bom para duas coisas. Primeiro, para nos fazer perceber pelo contraste o que é realmente importante. Você liga a TV, vê Maluf ressuscitando o "rouba mas faz", Lula afirmando pela enésima vez que ninguém pode discutir ética com ele, Valdemar Costa Neto pedindo mais uma chance (e ganhando!) e mensaleiros reeleitos e se sente idiota, envergonha-se de fazer parte da festa da democracia e desliga a TV, lembrando que precisa trocar uma lâmpada queimada, algo mais importante do que acompanhar de perto os acontecimentos políticos. É claro que há diferença entre ter e não ter um presidente corrupto e ignorante, mas eu percebo, sobretudo quando acompanho o noticiário político na TV, que minha força como eleitor é muito, mas muito menor do que minha força como indivíduo.
A segunda coisa boa de um ano eleitoral é estudar. Se você percebe, como afirmei antes, o que não é importante, em algum momento você se perguntará sobre o que é importante. E quando você se fizer essa pergunta, fatalmente será empurrado na direção do estudo, dos livros, da reflexão atenta a respeito das coisas que acontecem ao seu redor. Não há como escapar. Ou você passa por essa trindade ou não estará estudando. E se não estiver estudando, continuará sendo mais uma daquelas pessoas que percebe o erro mas não consegue eliminá-lo nem de sua própria vida e que, por isso, abana o rabinho enquanto se dirige à zona eleitoral e fica bravinho a cada nova investida do Leviatã.
A maioria das pessoas que bate no peito e se diz "eleitor" é gente que percebe o erro e a necessidade de mudar diversas coisas, mas que tristemente acredita que a solução para tudo isso é votar, discutir com vereadores, engajar-se em discussões políticas. De minha parte, o que posso dizer é que sinto vergonha de fazer parte de um sistema que diz ao cidadão que o voto é sua obrigação fundamental. Não quero mudá-lo, quero apenas ter a liberdade de não participar dele. Não gosto de festas. Gosto menos ainda de uma festa cuja participação é obrigatória. Festas resultam em pessoas bêbadas, sujeira e barulho. Nada mais distante do estudo, da reflexão e da sabedoria. Quero estudar, não votar. Uma audiência pública só teria utilidade se servisse para reunir pessoas esclarecidas e versadas sobre os assuntos
em pauta.
Fala-se, por exemplo, em mudar o mundo. Como mudar aquilo que não conhecemos? Como mudar aquilo que só conhecemos através dos noticiários? Como ir além daquilo que nos é mostrado? Telejornais têm um compromisso com a superficialidade. Duvide deles. Duvide também do que digo aqui, mas seja capaz de ir além destas palavras. Não as recuse apenas porque elas contradizem aquilo em que você acredita. Estude, busque referências. Saiba ir além. Supere-me, por favor. Não é difícil, como você já deve ter notado.
Se quiser referências, ei-las. O que escrevo aqui e em meu saite tenta humildemente ecoar as idéias de Aristóteles, Tomás de Aquino, Confúcio, Lao Tsé, Jesus Cristo, Spinoza, Thoreau e, para citar alguns autores brasileiros, Olavo de Carvalho, Mário Ferreira dos Santos e Miguel Reale. Aristóteles ensina o que é ética em "Ética a Nicômaco"; o leitor entenderá o que é viver em sociedade, o que é justiça, igualdade, bondade, as virtudes e os vícios. Um bom complemento é "Política", se o leitor realmente quiser chafurdar na lama sem correr o risco de se afogar nela. Tomás de Aquino é um tapa na cara daqueles que desacreditam o poder da fé e menosprezam sua importância, sobretudo nos dias de hoje. Confúcio também dá lições de ética e moral, ensina como e por que estudar e pensar. Lao Tsé demonstra a importância da unidade, da bondade e antecipa algumas lições que só ganhariam dimensão e importância séculos mais tarde com o surgimento de Jesus. Sobre o Nazareno e seus ensinamentos, não há nada que supere o Novo Testamento; quem quer que critique as religiões e a religiosidade sem tê-lo estudado simplesmente não merece ser ouvido. De Spinoza, é utilíssimo seu "Tratado da Correção do Intelecto", pois não há nada mais valioso e ao mesmo tempo perigoso do que a inteligência. Thoreau, sempre lembrado por seu "Desobediência Civil", conversa com o leitor no poético e filosófico "Walden" e o faz perceber que pode haver muito mais vida na consciência individual do que no mundo que a cerca. Nunca é demais lembrar que muitos dos livros aqui mencionados podem ser encontrados na Biblioteca Municipal de Ilhabela. Se não puderem ser encontrados por lá, entre em contato comigo.
O valor do estudo não está apenas no desenvolvimento intelectual. Ao estudo segue-se um crescimento moral que se inicia com uma observação simples: tudo o que você puder pensar já foi pensado por outras pessoas, e certamente elas chegaram num ponto em que você jamais sonharia chegar. É uma lição de humildade, e a humildade é o primeiro passo para respeitar aquilo que você não conhece. E chega uma hora em que você perceberá que todas as pessoas sabem mais do que você. Não esta ou aquela. Todas. Todas as pessoas podem ensinar. É um regra sem exceção, pois mesmo a pessoa que nada tem a ensinar, que se orgulha da própria ignorância e que faz disso a razão para que as pessoas o aceitem – como o Sumo Apedeuta – serve como exemplo de mau exemplo, como modelo a ser recusado e colocado no formol do esquecimento.
Ontem, na zona em que trabalhei como mesário, houve dois incidentes muito peculiares.
O primeiro foi quando, numa das seções, um eleitor analfabeto não sabia em quem ou como votar e foi rapidamente ajudado por um dos mesários e por uma fiscal do PSDB, caracterizando crime eleitoral que ficou por isso mesmo.
O segundo foi um eleitor de Lula, visivelmente bêbado, que saiu da zona pedalando sua barraforte enferrujada e declarando seu voto aos berros e que por isso foi advertido pela presidente de uma das mesas. Minutos depois voltou, questionando o policial (!) sobre a possibilidade de se manifestar.
Esses dois eventos não poderiam ser mais representativos da festa da democracia.
***
Tem um sujeito que você conhece que é bandido. Você sabe o que ele faz todos os dias, do que ele vive e como vive.
Embora a maioria das pessoas saiba que ele é um criminoso, elas gostam do sujeito porque de vez em quando ele chega no boteco do lugar distribuindo comida, bebida e dinheiro. Você faz cara feia quando isso acontece, mas uma pessoa ao lado diz “Deixa disso, chega mais, a cerveja tá gelada”.
Você não apenas sabe do que ele faz como também tem documentos que provam que o sujeito é um criminoso. Mas você não o denuncia porque ainda não conseguiu responder a pergunta: “O que é pior: denunciá-lo ou viver sob seu jugo?”.
Denunciá-lo, você sabe, significa tornar-se maldito para todos aqueles que gostavam da cerveja gelada, da comida farta e do dinheiro, por menor que fosse.
Viver sob seu jugo, embora possa ser algo pacífico, não livra sua consciência do fato de estar concordando, ainda que silenciosamente, com todos os crimes que o sujeito já cometeu, está cometendo e que cometerá. Ademais, todo criminoso tem a necessidade psicopata de crescer para sobreviver e um dia o crime baterá à sua porta. É tudo uma questão de tempo.
***
Afinal, Alckmin não era diferente. O tom do primeiro turno era puro oba-oba, um clima “todos contra Lula”. Quando todos foi neutralizado e só sobraram Lula e Alckmin, até este pensou que podia deixar para 2010.
A forma como as eleições presidenciais terminaram, depois de diversos debates polidos demais (que poderiam ter sido assim), depois de um partido inerte, de um candidato incapaz de, mesmo derrotado, fazer sua parte, todas estas coisas reforçam a tese do acordo PT-PSDB.
Na edição de hoje do jornal vespertino da Globo, o resumo da ópera: eleitora, mãe de família, moradora da cidade que deu a maior votação a Lula (97% dos votos válidos), em algum lugar do litoral maranhense. Diz a mulher: “Lula fez muita coisa boa. Agora a gente tem o bolsa-família”. O âncora encerra a matéria dizendo que as antigas oligarquias nordestinas perderam força, aludindo evidentemente ao voto de cabresto e os currais eleitorais de antigamente.
Li não sei onde que o voto de cabresto de antigamente foi trocado pelo cabresto eletrônico. O sujeito desempregado e analfabeto vai deixar de votar num cara que fala errado, que tem aparência suja e que lhe dá um dinheirinho todo mês para votar num cara que se veste bem, que fala corretamente e que talvez não lhe dê o mesmo dinheirinho todo mês? É claro que não. Sobre roubo, aliás, isto pode ser um bom complemento.
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A eleição acabou. A única coisa que me interessa agora é Lula lá:

E se traição à pátria não for razão suficiente, nada mais será.

"Recuperar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu."
PS.: Este saite ficará inativo por algumas horas, em sinal de luto. Comentários continuam abertos e livres. Em breve voltaremos à programação normal.
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Eu vejo a arquitetura exageradamente alva de Richard Meier e não consigo evitar dois pensamentos:
1) Um banheiro virado no avesso.
2) Algo de muito ruim se esconde sob esse quadriculado. O que de algum modo é decorrência do item 1.
É claro que estou sendo injusto. Mas veja por exemplo a melancia de Ruy Ohtake, o disco voador de Oscar Niemeyer ou a merda de ouro, de Starck.
Arquitetos querem ser únicos. Às vezes eles conseguimos.
Foi lançada ontem a versão 2.0 do Firefox. Aqui você pode ver as principais novidades e fazer o download.
O mais interessante é ler a lista das "novidades" e a cada item lembrar do navegador que uso: "Poxa, o Opera já faz isso desde a versão 8… E isso também… Esse outro recurso eu já uso há mais de um ano… Esse é padrão do Opera…".
Em outras palavras, o Opera faz há muito tempo e com muito mais leveza e velocidade tudo aquilo que a versão mais recente do Firefox traz como novidades de última geração.

outubro 30, 2006