Esqueça as retrospectivas. Eu esqueci. Esqueci inclusive o que escrevi no réveillon passado, embora o arquivo esteja aí, guardado a alguns cliques de distância e também no meu HD. Fiz melhor. Fiz diferente.
Neste ano novo, além daquelas mensagens óbvias de saúde, paz, felicidade, sorte etc., faça algo diferente. Não precisa ser melhor. Não precisa nem ser indiscutivelmente bom. Apenas diferente. Algo que torne a sua, a minha, a nossa vida um pouco maior.
É provável que no seu caso fazer diferente signifique fazer melhor, já que sua vida não é um poço de integridade e de correção e piorar é impossível. No meu caso… bem, isso é assunto meu, ok?
Sei lá. Leia o Corão (mas não me conte), troque o dia pela noite (se seu chefe concordar), vá ao mercado de patinete (na hora do rush, é claro), estude uma língua morta (como o português sulamericano), tome sopa de garfo (se a sopa de for de aipo, tanto melhor). Se nada disso for digno de repetição, 2007 será um ano repleto (eu disse repleto?) de causos para contar para os amigos. E você terá gasto muito menos do que gastaria no cinema.
É isso aí.
A todos, feliz ano novo.

Excelente a campanha do Pé Sujo.
(…) basta dirigir-se a um sebo mais próximo e comprar as duas edições da obra. Faça uma fogueira e queime-as. É importante você fotografar o ato para que a sua ação seja copiada por uma alma generosa que pretenda, assim como você, livrar o mundo dos livros ruins e dos comunistinhas limonadas. A intenção da campanha é que todo o mundo se livre desse mal. A primeira etapa é livrar os sebos onde se encontram essas porcarias a preços baixos, facilitando a propagação desse mal.
Há apenas uma questão importante: desde quando comunistas e socialistas lêem? Você conhece algum comunista ou socialista que tenha lido “O Capital”? Você conhece algum que tenha lido pelo menos o “Manifesto Comunista”, que é mais breve e com linguagem mais adequada ao espírito neo-revolucionário do Bananão? Eu não conheço.
Mesmo assim, a iniciativa é louvável. Não se trata, como alguns podem pensar, da recriação do inferno imaginado por Ray Bradbury em Fahrenheit 451, que condenava todos os livros à fogueira. Trata-se de um único título, de um único autor, o que deixa aos comunistas o convite para estudar a sério, embora eu tenha razões para acreditar que eles jamais farão isso.
Seja como for, quem quiser tem a chance de ler, sem qualquer custo adicional e por sua própria conta e risco, o Manifesto Comunista em formato PDF. Depois me conte o que achou. Eu não li todo o livro, mas sei que no final 100 milhões de pessoas morrem e o culpado não é o mordomo.

Trecho da monografia que escrevi recentemente para uma das disciplinas do curso de pós que estou fazendo. Em breve devo publicar neste saite uma versão condensada das oito páginas de que ela é composta.
Se cremos que a paisagem é o conjunto de edifícios institucionais, árvores, casas, ruas e avenidas logo perceberemos que deste conjunto fazem parte também os edifícios abandonados, a poluição, as favelas e os anúncios publicitários. Se cremos que a paisagem é o skyline das cidades, associado a todos os símbolos de progressismo que a idéia mesma de cidade conquistou ao longo de quase dois séculos de industrialização, logo perceberemos que a esta idéia também estão associados elementos menos visíveis, menos palpáveis, menos seguros para a percepção humana. A conclusão a que podemos chegar é que, se a visão não dá conta de abarcar a paisagem, é bem possível que nós mesmos não sejamos capazes de compreendê-la. E se não existe a capacidade de compreendê-la, tampouco existem a capacidade e a autoridade para transformá-la.
Para quem ainda não compreende o conceito de ecologia, o apagão aéreo fornece uma lição preciosa. A explicação serve também para o holismo, a concepção sistêmica e o organicismo, que são imagens diferentes de uma mesma idéia.
O sistema de transporte aéreo pára de funcionar. As pessoas que viajariam para destinos turísticos deixam de viajar ou viajam para destinos mais próximos, de carro e de ônibus.
No Nordeste, empresas do setor hoteleiro amargam prejuízos diários de alguns milhões de reais. Restaurantes permanecem com mesas vazias. O comércio deixou de contratar funcionários temporários para o fim-de-ano. A expectativa é que o problema afete toda a temporada de verão. Até mesmo o vendedor de coco na praia está tendo prejuízos, isto é, está vendendo menos.
As pessoas que optam por viajar de ônibus e carro já estão engordando as estatísticas dos congestionamentos, dos acidentes e, em alguns casos, das vítimas do trânsito brasileiro — que é reflexo da absoluta falta de estrutura das estradas, sobretudo as federais. Ao observar a malha rodoviária brasileira, uma pergunta pertinente, mas incômoda, é: quantas pessoas vão morrer por causa do apagão aéreo?
As pessoas que vivem em São Paulo, a maior cidade do Brasil, escolherão destinos mais próximos. Além de colaborar para o aumento dos problemas nas estradas, deixarão a estrutura nordestina ao léu e sobrecarregarão cidades mais próximas, como as do litoral norte paulista, que, evidentemente, não têm a estrutura necessária para receber um número de turistas maior do que aquele que já recebem a cada verão. Não é exagerado imaginar que pode haver falta de água em algumas cidades, além, é claro, de congestionamentos e acidentes decorrentes do excesso de veículos e aumento significativo da criminalidade. Outra pergunta pertinente seria: quantas ocorrências policiais a mais serão registradas neste verão nas cidades do litoral norte paulista? Poderíamos perguntar também sobre a sobrecarga de esgoto nas praias e de lixo nos aterros. Enquanto isso, hotéis nordestinos permanecem vazios.
Tudo isso por causa do apagão aéreo, que, aliás, está longe de terminar.
*
O espetáculo do crescimento já começou.
A mensagem é tardia porque fiquei longe do PC, mas acredito que ela valha para todos os dias, meses e anos. Natal não é apenas hoje.
Não que a data não seja importante. Rituais são importantes, mesmo que eles pareçam vazios. Perceba: a família, mesmo esfacelada, ainda se esforça para se reunir; os presentes, mesmo lembrancinhas e mesmo que sejam um reflexo perigoso do furor consumista, ainda significam que você se importa e que há quem se importe com você. Ainda há símbolos, ainda há ritual. E mesmo que a lembrança do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo seja um breve parênteses numa data que se tornou para muitas pessoas uma festa de gastos desnecessários, ela não terá perdido seu verdadeiro significado se essa lembrança permaneceu nos corações de algumas pessoas por mais tempo do que aquele parênteses. Terá valido a pena. E valerá, todos os dias.
Que a data seja para todos aquilo que ela realmente é.
A todos, um feliz Natal.
A partir de hoje cada post deste blog terá no rodapé esse ícone cabuloso mostrado ao lado. É o ShareThis, um plugin feito para o Wordpress que facilita o compartilhamento do post que você está lendo. Clicando nele o usuário verá uma lista de ícones de redes sociais e de serviços de compartilhamento de links (como o Del.ici.ous ou o Technorati), muito úteis na blogosfera. Coisa de nerd. Se você não sabe o que são essas coisas e nem imagina o que elas fazem, provavelmente é porque elas não farão a menor diferença para você. Uma explicação mais clara e objetiva do que é o ShareThis pode ser encontrada aqui.
Este plugin também pode ser interessante para quem quiser enviar o link do post que está lendo para uma outra pessoa. É uma outra versão do surrado recurso “envie este post por e-mail”. Surrado, sim, mas que eu nunca consegui fazer funcionar neste saite.
Aliás, continuo não conseguindo: ainda não consegui fazer esse recurso funcionar. Por enquanto, apenas os link das redes sociais estão funcionando. Assim que eu puser o e-mail do ShareThis para funcionar, aviso vocês, assim vocês poderão saber se o link realmente foi enviado ou não. É isso aí.

dezembro 30, 2006