
Comunismo é crime — razões para isso não faltam. Se fosse imposto ao comunismo o mesmo rigor que é imposto ao nazismo (o que seria o mínimo da coerência e da sensatez), a questão estaria resolvida com folgas. O nazismo matou 6 milhões de pessoas e hoje a ostentação de símbolos nazistas dá cana para o sujeito. O comunismo matou 100 milhões, mas a foice e o martelo são símbolos fashion. Aliás, leia isto e isto.
Pela escolaridade mínima para políticos — se você quiser prestar concurso para marceneiro em Tapejara, PR, você precisa ter o ensino médio completo e ficha limpa. Aprovado, você receberá R$855,55 por mês para cortar madeira e fazer móveis para a prefeitura local. Se você quiser ser vereador ou deputado, basta ter o dinheiro para a campanha e receber mais votos do que os outros candidatos. Eleito, você receberá vultosa quantia mensal (muito, mas muito mais do que um marceneiro em Tapejara) para elaborar leis que decidirão os rumos do país e pelo menos durante o seu mandato ficará totalmente dispensado de apresentar atestado de antecedentes ou qualquer diploma de escolaridade. Poderá até ser semi-analfabeto, falar errado e com a língua preva.
Eduque seus filhos em casa — o Estado não fornece educação de qualidade? Faça um favor para si e para o Estado (não que o Estado mereça favores): eduque seus filhos em casa. Se você não ouviu falar em homeschooling, saiba mais aqui. Sobre educação liberal, conheça a Escola Sem Partido e leia isto. Mas tenha à mão o telefone do seu advogado; não são poucas as autoridades e entidades que acreditam que seus filhos devem participar do sistema tradicional de ensino, ir a escolas e obter certificados emitidos exclusivamente pelo Estado.
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Uma das imagens mais marcantes que eu trouxe dos meses que passei no Japão foi a da pontualidade absoluta do sistema de transportes. Eu disse pontualidade absoluta — I really mean it. Esqueça os britânicos.
Um dia eu estava numa das estações de trem de Nagoya. Acompanhava amiga minha que ia tomar o trem para uma das cidades vizinhas. Não lembro o horário do trem dela, mas suponhamos que fosse 16:47 — não 16:45 ou 16:50, mas 16:47; eu lembro que era um número inviável para um brasileiro. Leia na íntegra >>

Tire a ideologia esquerdista de um esquerdista. O que sobra?

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Todo mundo espera ser atingido por um raio.
As pessoas querem ter suas vida totalmente transformadas, nascer de novo, mudar para um lugar estrangeiro. No fundo, elas apreciam a rotina em que estão, mas ao mesmo tempo suspiram pela revolução irrealizada. É uma espécie de neurose, que está sempre a um passo da perda da noção de realidade. Sonhar é bom, sem dúvida, mas não quando vemos o sonho como alternativa à realidade.
É claro que essa revolução jamais se realizará. Transformações autênticas dependem do esforço individual e pessoal (por isso o magistério é uma profissão de fé). É muito mais manter-se em silêncio do que sair por aí gritando. É muito mais deixar passar do que entrar em conflito. É muito mais caminhar com direção e vontade do que sair correndo por aí — e tropeçando.
Você é a causa de sua má sorte.

Você já se perguntou sobre a necessidade de passar meia geração estudando assuntos genéricos. Você fez engenharia cartográfica ou letras, mas precisou estudar os anelídeos e a tundra do norte do Canadá para entrar na faculdade. Depois disso, você deixou as minhocas de lado e o Canadá voltou a ser para você a terra fria de Terrance & Phillip. Se aquela dúvida permaneceu, eis as respostas:
1) Quem quer ser engenheiro precisa estudar matemática e física e ignorar todo o resto, certo? Errado. Nossa noção de necessidade é imperfeita. Pensando bem, nossa noção do que é uma carreira profissional também é bem chulé. É difícil saber do que precisamos até estarmos numa situação em que não podemos conseguir aquilo de que precisamos. Por isso é bom ter conhecimento, o que inclui estudar minhocas. Você nunca sabe quando vai precisar de seus conhecimentos sobre minhocas.
2) Ok, você nunca precisou de seus conhecimentos sobre minhocas e não conhece ninguém que tenha precisado disso. Mas pense nas alternativas. Enquanto você estudava os anelídeos, você deixou de assistir à oitava reprise de “Lucky, o cão biônico” e perdeu os comentários sobre o escândalo envolvendo uma celebridade de que você nunca ouviu falar. Talvez os anelídeos não sejam mais importantes do que a Sessão da Tarde ou do que os programas vespertinos, mas, vem cá, você conhece alguém que desenvolveu grandes aspirações quando soube com antecedência o que vai acontecer no próximo capítulo da novela das 8?
3) Buda dizia que somos aquilo que pensamos. Não sugiro que você fique pensando na tundra canadense, mas é bem melhor do que pensar em beber cerveja, por exemplo. Nossas ações seguem aquilo que está em nossa cabeça. Se você a ocupa com cerveja, com tundra ou com anelídeos, fatalmente sua vida seguirá o caminho dessas coisas. É bem melhor que sua vida seja mais ampla do que o Globo Repórter e seus intervalos comerciais.
4) É muito bom ser sociável. Mesmo que você seja um tímido incurável, é admirável quando encontramos pessoas que sabem ouvir, que sabem do que estamos falando. Não só pela economia de palavras, mas porque reforçamos aquela esperança de encontrar vida inteligente nos limites deste país. E vida inteligente não é algo que brota na gaveta da geladeira (isso se chama bolor); vida inteligente se constrói e se mantém diariamente.

Pergunta: E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
Resposta: Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.
Não que a declaração da ministra Matilde Ribeiro surpreenda. Mas dita assim, com todas as letras, de uma forma que mescla ingenuidade e estupidez, vinda de uma pessoa cuja tarefa declarada é promover igualdade racial, é medonho. Na cabeça da ministra, os negros podem até ser racistas, o que deixa claro que, no que depender da autoridade responsável por promover a igualdade racial, a lei que pune os crimes de racismo será aplicada a apenas uma parte da população.
Igualdade racial no Brasil, só para os negros. Como diz o ditado, todos somos iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

março 31, 2007