
Fonte original da imagem, aqui.
Não que seja tarefa difícil refutar o abortismo, mas talvez seja adequado organizar os principais argumentos pró-aborto numa lista como a que apresento a seguir e refutá-los um a um. Quem não tiver a paciência para a leitura, sugiro que veja este vídeo, que havia sido sugerido pelo Olavo de Carvalho em um de seus artigos recentes. O vídeo peca em alguns detalhes (conheço gente que não apoiaria uma causa se soubesse que seus defensores escrevem “previlégio”), mas é bastante completo e cumpre com folga o objetivo a que se propôs.
O feto não é um ser humano.
Então tudo bem se eu o comer? Afinal, o que é um feto para os abortistas?
Sabemos que um feto é um feto e que um bebê é um bebê. A distinção é clara porque o momento do nascimento a determina — o ser humano chama-se feto durante a gestação; após o nascimento, chama-se bebê. Mas distinções léxicas nem sempre implicam distinções morais. O feto vai-se tornar um bebê, caso a mulher leve sua vida adiante normalmente. O destino natural do embrião é o mesmo destino que o abortista teve desde que sua mãe o carregou no ventre, deu-lhe à luz, o amamentou e cuidou dele até que crescesse com saúde e alguma inteligência para finalmente defender causas espúrias.
Talvez signifique algo o fato de que todas as pessoas que existem e que já existiram já foram um feto.
Stricto sensu, uma nova vida humana se inicia no momento em que o óvulo é fecundado. O estabelecimento de qualquer limite dentro da escala que vai do óvulo recém-fecundado até o bebê recém-nascido significa criar espaço para que esse limite seja deslocado de acordo com os argumentos mais imbecis — como distinções léxicas. Um feto é um feto e um bebê é um bebê, mas todos são seres humanos dentro de uma escala que vai do óvulo fecundado até o indivíduo idoso.
A mulher deve ser livre para escolher o destino do feto.
Este é o principal argumento dos abortistas e também o mais falacioso, porque tem como pressupostos idéias malucas a respeito do que seja liberdade e direito. Liberdades e escolhas não dependem apenas do indivíduo. Meu direito de comprar pão quente todas as manhãs depende do trabalho de um padeiro para produzi-lo. O exercício do suposto direito de abortar depende da intervenção de profissionais preparados para isso. Para a mãe que carrega o bebê dentro de si, matá-lo pode não significar muita coisa. Para um médico, é o oposto daquilo que sua ética profissional determina.
“Mais do que isso, a mulher abortista não espera apenas ajuda profissional para abortar, ela quer a complacência da sociedade e o apoio do Estado. Aí é pedir demais. Que ela queira fazer uma bobagem descomunal, entende-se; nem todos estamos livres do erro. O que surpreende é que ela seja tão firme, responsável e consciente para decidir pelo aborto e não seja tão responsável assim para evitar uma gravidez ou levá-la adiante.
Além disso, o direito à escolha depende do direito de nascer. Um abortista tem o direito de falar merda e defender o aborto porque lhe foi assegurado o direito de nascer. O aspecto mais absurdo da retórica abortista é que nenhum dos defensores do aborto inclui-se em seus próprios argumentos.
Um sujeito com quem conversei sobre o assunto disse que “impor a uma mulher qualquer opinião diferente da sua é típico de Estados totalitários e de pessoas intolerantes”. Este argumento é uma extensão da idéia da liberdade da mulher, igualmente falacioso. Ora, a questão é quem impõe sua opinião a quem. O que o Estado e a sociedade exigem é que a mulher conclua o que fez, que seja responsável até o fim, como foi para engravidar. Engravidou por acidente? O Estado ajuda na rotina pré-natal e ajuda a cuidar do bebê. Apenas não queira usar essa irresponsabilidade como argumento para exigir qualquer outra coisa do Estado e da sociedade.
Há também aquele slogan: “Mantenha suas leis longe do meu corpo”. Seria perfeito, desde que ela, mulher abortista, pudesse manter-se longe da sociedade, para as quais as leis são feitas.
Mas eu também acho que o Estado não deve patrocinar o aborto.
Quem diz essas coisas simplesmente não sabe do que está falando. Descriminalizar o aborto significa inclui-lo no rol de obrigações estatais. O direito ao atendimento de saúde é um direito garantido pela Constituição. Não importa se a mulher precisa de atendimento médico porque está gripada ou porque fez um aborto — ela terá direito a receber atendimento médico em qualquer circunstância. De uma forma ou de outra o Estado — o meu, o seu, o nosso dinheiro — estará bancando a irresponsabilidade alheia.
O valor da vida é relativo.
Relativo a que? Um sujeito com quem conversei insistia neste ponto. Ele dizia que a vida de um criminoso não valia o mesmo que a vida de um justo. Isto significa que se o valor da vida é relativo, ele é relativo aos atos.
Se o valor da vida é absoluto, não há o que discutir. Se o valor da vida é relativo aos atos do portador desta vida, subentende-se que a ele foi garantido o direito de existir e de agir e que seus atos serão avaliados pela Justiça. Neste caso há o que discutir e a discussão girará em torno dos atos, não de um valor imanente da vida.
Impossível não perceber a relação destas afirmações com o item que tratava da liberdade de escolha.
Mas e se a mulher engravidou por causa de um estupro? E se houver risco de morte para a mulher?
Nestes casos a Constituição já permite o aborto.
Que fique claro a que tipo de pessoa se destina a liberação do aborto. Não se trata de uma mulher que foi vítima de um crime ou que teve complicações incontornáveis na gravidez. Trata-se da mulher que quer abortar. Por que? Porque quer. As alegações serão diversas — gravidez na adolescência, incompatibilidade entre a gravidez e os planos de vida etc. —, mas tudo pode ser resumido em um único item: a mulher saudável e que não engravidou num estupro escolhe o aborto porque quer.
Muitas mulheres morrem em decorrência de abortos feitos de forma inadequada em clínicas clandestinas.
Liberar o aborto vai eliminar as clínicas clandestinas? Existem estatísticas confiáveis sobre a morte de mulheres durante a realização de abortos? Não seria muito mais fácil não realizar o aborto e preservar duas vidas?
*
Observe que não fiz qualquer referência a questões religiosas. Inclusive por isso não falei daquele argumento que imputa ao reacionarismo religioso (sobretudo o católico) a insistência na proibição do aborto. Reduzir o aborto a questões religiosas ou biológicas é dar vantagem aos abortistas. Tudo o que eles querem é ver o assunto esfacelado em paradoxos religiosos e relativismos científicos — qualquer coisa que desfaça o valor absoluto da vida e a importância de manter a proibição do aborto. Não caia nessa.
Espero que isto ajude. Mais itens para esta lista serão bem-vindos.
indique a um amigo, republique em seu blog, adicione a redes sociais.
Posts relacionados
Comentários
22 comentários to “Refutando o abortismo”

maio 16, 2007
Gostei. Moro nos EUA e vai não vai entro numas dessas discussões. E aqui você sabe, muitas pessoas têm até medo de dizer que são contra o aborto, com medo de se passarem por atrasadas. As pessoas olham para mim com curiosidade e surpresa quando digo que não concordo com o aborto, especificamente, não faria um aborto. Muitas delas caem em cima de mim e começam a descofiar que sou contra as mulheres. Concordo com praticamente tudo o que você colocou e foi interessante ler para reforçar meus argumentos. O mais curioso pra mim é ver que quando digo que não concordo com o aborto as pessoas querem que eu diga porque e depois tentam me convencer do contrário, muitas vezes querem manter aquela conversa por um bom tempo e noto que as incomoda o fato de eu ser contra. Enquanto que eu me sinto muita tranquilidade na minha opção e digo que é muito pessoal pra mim e não tento as convencer de nada. Simplesmente e pessoalmente não faria; acho que as pessoas devem ser livres pra fazerem o que quizerem, mas não acho que sociedade deva assinar embaixo com uma lei que legaliza algumas loucuras, porque lei deve educar e não o contrário. Aqui nos EUA especialmente, a legalização do aborto é extremamente política e se mantém na mídia como forma dos políticos se detonarem uns aos outros e roubarem a atenção de outras discussões e necessidade de ação que estão sendo relevadas. Valeu o texto. Ah, uma coisa engraçada, vi seu perfil — também sou de Leão, temos a mesma idade, portanto sou uma OX e sou arquiteta. Infelizmente, só não moro em Ilhabela.
Eu já participei mais de discussões a respeito do aborto. A impressão que tive é que anti-abortistas são vistos como fascistas, inimigos da liberdade, alienígenas num mundo em que tudo é livre e permissivo. Eu realmente não tenho mais paciência para discutir com pessoas que mal compreendem o que é liberdade e que com tanta facilidade a confundem com libertinagem.
Felizmente o blablablá abortista foi momentaneamente interrompido por aqui. Surpreende-me, no entanto, que nos EUA estas divergências pareçam ser mais sérias do que aqui. Aqui não temos anti-abortistas tão esclarecidos e organizados como aí.
*
A propósito, leonina, seu trabalho é admirável. Parabéns.
Cara,
Usar argumentos de ordem economica para tentar sensibilizar as pessoas é terrivel. Argumentos religiosos são muito piores. Se a mulher quer interromper a gravidez é um direito dela, o corpo e a vida são dela. Logo o que se tem a fazer é informar a ela as consequências de fazer um aborto seja na primeira semana seja no setimo mes de gestação. A decisão é da mulher. Depois de ser de informada sobre as consequências de fazer o aborto a decisão é dela. De mais nenhuma pessoa. Trata-se de dar a liberdade para a pessoa proceder como lhe for conveniente. O problema é : quem faz o aborto numa clinica chique ou num ambiente insalubre, a maioria das mulheres, esta cometendo a mesma ação contra a lei. E é a lei que deve ser mudada. As pessoas tem que ter direito a escolher o que fazer com seu corpo. As mulheres desde a mais pobre, principalmente, até a que tem maior nivel cultural e quase sempre econômico tem o direito de fazer o que bem entenderem com sua vida isso é responsabilidade dela. Seus argumentos são errados. O que esta em questão é a descriminalização do aborto.
eu entendo seus argumentos libertários e concordo com muitos deles. Stricto sensu, o problema é da mulher — logo, a responsabilidade e as decisões também são. Eu costumo acreditar que o único mundo viável é aquele que tem pessoas responsáveis.
O problema começa aqui: num mundo em que países têm governos e obrigações constitucionais — como o Brasil –, descriminalizar significa legalizar. Diferentemente da questão das drogas, descriminalizar o aborto significa inclui-lo no sistema de saúde, o que na prática significa legalizá-lo, formalizá-lo e adicionar-lhe um carimbo do Ministério da Saúde. E estas coisas não se fazem sem dinheiro público.
Tudo bem para você patrocinar a irresponsabilidade alheia? Para mim, não.
tema espinhoso, não? então:
1. democraticamente, a mulher deveria ter o direito de escolher;
2. se crianças que foram desejadas por seus pais têm uma boa probabilidade de rejeição e esquecimento, imagine as que não foram desejadas;
3. o governo se responsabiliza por diversas iresponsabilidades. muitas enfermidades tratadas nos hospitais são resultado de dietas ou costumes irresponsáveis;
4. a influência católica no brasil pode causar distorções na percepção de argumentadores poderosos, como o olavo de carvalho.
vou parar por aqui, ou volto a discutir a legalização da maconha, como eu fiz ontem.
ah, neil gaiman tem uma coisa legal sobre bebês. não é sobre aborto, mas é sobre bebês e sobre nossa relação com eles. e conosco, sei lá:
http://sinaesthesya.blogspot.com/2002_11_01_archive.html#84864391
sempre bom vê-lo por aqui. Obrigado pelo comentário. Vamos a ele.
Sobre 1, democracia é um conceito muito social, não? Isto significa que o exercício da democracia implica participar de uma teia complexa que relaciona instituições, grupos, pessoas, valores etc. Ademais, ter um direito corresponde sempre a cumprir um dever. Vêm daí duas perguntas necessárias: i) qual o dever da mulher que quer abortar? ii) quais as implicações sociais do aborto?
Sobre 2 e 3, nada a dizer. Embora 2 seja normalmente utilizado como argumento pró-aborto e 3 seja off-topic, não tenho motivos para discordar do que foi dito nos dois itens.
Embora pense em tratar o assunto sob o ponto de vista religioso em outro texto — não necessariamente católico — costumo concordar também com o item 4. Religião é um tempero que pode fazer qualquer debate desandar. Saber quando adicioná-lo é uma arte.
Abraço!
Gostaria de saber sua opinião sobre a legalização do aborto no caso de estupro ou risco de vida para a mãe. Aceitar o aborto nestes casos não seria também o assassinato de um inocente e a relativização do valor da vida do feto? (No primeiro caso em relação ao fruto de uma relação consensual, no segundo em relação à vida da mãe)
Não acho que toda opinião deva ser totalmente coerente, opiniões são pessoais, mas a legislação deve ser coerente.
A relativização do valor da vida é horrenda do ponto de vista humano, mas é aplicada diariamente.
não tenho opinião formada sobre essa questão.
Tomando-a de uma forma pessoal, tendo a aprovar o aborto nessas circunstâncias, mas reconheço que isso implica uma série de contradições no que eu disse até agora.
Trata-se de assunto complexo e que demanda reflexão profunda e lúcida.
[...] Tenkai, obrigado por seu comentário. Gostaria, sim, de ter a versão digital doChristian: Mauro, não tenho opinião formada sobre essa questão. Tomando-a de uma forma pessoal,Patrícia Ströher: Sim, os ignorantes são pragas impregnadas na sociedade! Dito isto me vem [...]
http://jorgenobre.unblog.fr/2008/05/31/aborto-e-pior-que-narcotrafico/
Muita gentileza sua, Christian.
TEXTO SIMPLISTA E PEDANTE…
Com 9 métodos contraceptivos disponíveis no mercado, e estou sendo científico, posso chegar a conclusão de que se poderia evitar a gravidez indesejada em 99%, pelo menos…O que sobra é responsabilidade. Se você faz sexo, assuma. Agora se vazou, problema seu…”Controle absoluto” da situação não lhe dá o direito de tapar os buracos com a vida alheia.
A embriologia já disse: A vida começa na concepção. O resto é sofisma e discurso politicamente correto de democrata americano, justificando que crianças nascidas vivas, em abortos falhos, devam ser mortas com uma marretada. Ou talvez um filminho Hollywoodiano com uma atriz sofrendo o Diabo porque não pode criar seu bebê e, de quebra, levando uma estatueta.
O que vejo nessa tentativa pueril de livrar-se da responsabilidade, por parte dos pais e não somente da mulher, é uma covardia, um medo doloroso de encarar a vida e uma simplificação estúpida das conseqüências biológicas e psicológicas do aborto, para a mulher e para o homem. Aborto é perfeito. Resolve tudo. É o Activia do útero saudável.
O aborto tem um custo biológico grande para a mulher, transtornos psicológicos enormes, e custo financeiro, que, em muito, superam uma boa camisinha. Culpar a mãe é errado mesmo…A culpa é do pai, da mãe, da mãe da mãe e da mídia e governos que comparam a sexualidade humana ao nível mais reles e baixo da animalidade coisificada.
Ainda existe uma verdade, da qual não se pode fugir: O feto é dos dois: 23 cromossomos masculinos e 23 femininos. Não é “coisa de mulher”. Embora, passe muito mais tempo nela, óbvio, ela não faz sozinha. Justificar o aborto com: “Ah, mas às vezes o método falha…” é de uma hipocrisia dantiana: As vezes a arma do policial dispara e mata um inocente, vamos perdoar o coitado então? Às vezes um acidente de trânsito ocorre, porque, “as vezes”, o motorista esqueceu e bebeu demais. Resultado: Vamos perdoar o coitado do motorista que estava ”depré” e exagerou na branquinha?
Christian, o título do meu texto: “Simplista e pedante” foi colado do meu Blog. Desculpe.
Com relação aos Argumentos do Milton e do Gilvan. Me parecem bastante alienistas, porque parecem ter sido proferidos por indivíduos com sérios problemas em conhecimento biológicos.
“1. democraticamente, a mulher deveria ter o direito de escolher;”
A mulher não faz sozinha. São cromossomos do homem e da mulher. Se ele ao menos tivesse falado “o casal”, ainda passaria, considero o ponto de vista dos dois uma aberração técnica tão grande, que nem deveria ser respondido.É o típico pensamento politicamente correto. Tenho profundo respeito pela opnião deles e não quero gerar “flame war”.
Atenciosamente
bebeto_maya
Sou pró-aborto, mas talvez, por uma questão de opção pessoal prefiro não ser proselitista. Por isso, compreendo tua opinião embora discorde dela.
Se você por um lado já foi chamado de reacionário, já estive em debates onde fui chamada de assassina oportunista sem sentimentos… mas enfim.
O gilvas falou boa parte do que eu penso em seu comentário… Mas tenho a dizer que
concordo que a vida inicia na concepção e concordo que o feto não deve “pagar o pato” por uma falha (ou inexistência) do anticoncepcional. Porém, isto só funcionaria no cenário ideal, longe, muito longe da realidade brasileira onde mesmo com métodos relativamente acessíveis, as taxas de natalidade e mortalidade são imensas porque as pessoas não recebem educação suficiente e tampouco são estimuladas pelo Estado a “saírem da casca” ou acordarem do transe.
Com relação ao que o bebeto falou, se o método falhou, o problema é da pessoa, de fato. Por isso, cabe a ela tentar encontrar a melhor solução possível de acordo com sua realidade - se der, levar a gravidez adiante, mas se não der, interromper. Procuro não encarar o aborto como resposta mágica à solução dos problemas, mas o encaro como uma opção a que podemos ter direito sim, se preciso for. Não é a opção mais bonita ou eticamente perfeita, mas uma opção além da do “fez, agora carrega no colo e te vira” que é somente o que temos hoje.
Abraço!
Samantha, desculpe-me, mas é um pouco difícil acreditar no que você escreveu. Não sei se podemos classificar numa opinião cheia de safadesa ou simplesmente numa mera cara-de-pau.
Em suma, você diz:
“Bem sei que o aborto é um crime, mas estou disposta a cometê-lo ao invés de carregar uma criança no colo e ter que me virar.”
Isto me fez pensar que talvez, se você ficar grávida, a culpa é do Estado, da pipoqueira da esquina, mas de forma alguma sua.
E depois, o que você irá carregar no colo (tendo antes que carregar no ventre), não é um saco de batatinhas sorriso, mas sim, uma porcaria de uma vida.
Aí, sugere timidamente que o estado é culpado por não fazer um controle de natalidade, como se não fosse possível avaliar que quem adotou tal política, hoje responde pelo problema de baixo contingente populacional.
O aborto é injustificável.
Oi Diogo,
Não se preocupe, estás desculpado.
Como falei no início do meu comentário, não sou proselitista. Não estou tentanto convencer ninguém da minha opinião, só expondo-a. Por isso, se você não concorda comigo, ok.
Como disse anteriormente e acaba de acontecer de novo, acabo de ser chamada de assassina, mas desta vez, safada e cara-de pau. Vou anotar na minha lista de adjetivos. rsrsrsr
Não me eximo das minhas responsabilidades - aliás, só me dou mal por causa disso, afinal é muito mais cômodo não ser responsável por nada, viver seguindo as regras e não ter opinião própria .
Só não concordo que muitas mulheres por estarem na ignorância e desprovidas de incentivos para um planejamento familiar adequado sejam obrigadas a aceitar uma gravidez “porque sim” ou “porque deus quis”.
Isso é injustificável.
Mas enfim… Se a maior parte das pessoas não tem nem saneamento básico no Brasil, o que eu vou esperar em termos de educação?!
Bom Diogo, como o objetivo aqui não é flame war, assunto encerrado.
Samanta, é uma estupidez ter que explicar isto, mas não a chamei de safada, tampouco de cara-de-pau. Apenas cogitei classificar assim a opinião que postastes. Já quanto a assassina, fica por sua conta, não tenho nada com isso.
Ok, você não é proselitista e nem quer convencer. Então por que quer debater? Expor a tua opinião é nada mais que expô-la à analise de terceiros. Acostume-se com isto!
Incrível essa coisa de que a mulher é “obrigada a aceitar” uma gravidez. Como se isso fosse uma privação da liberdade. Convém lembrar que se você se prende sozinha num quarto, não há sentido em dizer que “estão” te privando a liberdade.
Depois, a mim não interessa se você se exime ou não das tuas responsabilidades. Mas sim, quando as tuas palavras corroboram com a irresponsabilidade, projetando em terceiros um problema privado e individual.
Mas que mania feia de levantar o narizinho e, com ar superior, julgar que “muitas mulheres” isso e a “maioria da população” aquilo. Deixe de ser prepotente (agora, você tem um adjetivo dedicado exclusivamente a você).
E, tudo bem. Vamos encerrar por aqui. Ando cansado dessa coisa de não poder falar nada sem que as pessoas fiquem ofendidinhas; e não queiram discutir nada porque “o objetivo não é flame war”. Oh, It’s so silly!
Um tema cabeludo como este, que não desprende de uma análise moral, exige emoções fortes e ironias.
Mas o mundo anda numa viadagem impressionante!
Pois é, Diogo, males da sociedade “pós-moderna”… Todo mundo é sensível agora, fazer o que, né?
(A propósito, não se exalte, eu entendi eu você não estava me ofendendo, por isso os “rsrsrs” no final da frase.)
Respondendo à tua pergunta: Só estou expondo minha opinião e é isso. Meu objetivo não é fazer alguém concordar comigo e adotar meus pontos de vista.Você expôs a sua opinião e eu expus a minha opinião, ok. Pronto. Eu não tenho que ter o compromisso de te convencer ou te fazer concordar com nada e vice-versa. Caramba…
Ah, e assim como você clamou o direito de refrear minhas irresponsabilidades projetadas sobre terceiros, posso fazer o mesmo com você, meu caro. Esse é o grande lance do debate, não uma cruzada para provar quem está certo e quem não está - o pensamento típico de quem é prepot… digo, que tem emoções fortes e ironias.
Tá, só uma coisa… Se eu falo de mim, não te interessa, mas se falo citando a situação de outras pessoas ou o que está visível aos olhos de qualquer pessoa aí sou prepotente?! Olha… Complicado.
Concordo que na condição ideal, com as pessoas educadas e fazendo planejamento familiar adequado a idéia de aborto seja injustificável. Ah, um instante… Essa é a situação atual, claro. Sim, porque pela tua ótica tudo está ótimo e não existe gravidez indesejada, mulheres com problemas econômicos e que sustentam sozinhas suas famílias, gravidez na adolescência, educação péssima, nada… Tudo é maravilhoso. Inclusive, uma gravidez não muda nada, tampouco acarreta coisa alguma, já que ser mãe é só padecer no paraíso.
Ah não se preocupe, eu não jogo no time dos “ofendidinhos” - para falar a verdade, estou apreciando muito nossa discussão.
Eu só não quis dar corda porque sei lá, algum outro leitor pode ser sensível, acabe se injuriando e minha intenção não é esta.
Se quiser continuar… Your turn, monsieur.
A Samanta falou de um jeito como se fosse um enorme defeito ser sensível. Um grande mal…
Eu eu que queria ter contato apenas com pessoas sensíveis e na maioria das vezes, só o contrário.
Samantha, o aborto é injustificável em qualquer condição. Tome o seu exemplo: gravidez indesejada. Quer dizer que você tem o direito de abortar, que é nada mais do que matar, só porque a criança é… indesejada? Ou seja: eu não quero que este ser tenha mais vida, pois irá, sei lá, atrapalhar meus planos para o próximo verão!
Depois, você fala de gravidez indesejada, mulheres com problemas econômicos e que sustentam sozinhas suas famílias, gravidez na adolescência, educação péssima, etc e tal, pressupondo que tudo pudesse ser erradicado com a legalização do aborto. Ou pior: que tudo só existe porque o aborto ainda não foi legalizado.
Mudei de idéia: não se trata de uma opinião cheia de safadesa ou simplesmente mera cara-de-pau. Talvez o assunto seja sofisticado demais para quem tem desocupada a cavidade do crânio.
Obrigado ao Diogo, à Samanta e a todos que têm enviado seus comentários a este post.