
O problema não é ir rápido demais para o futuro. O problema é afastar-se rápido demais do passado sem dar mostras de que aprendemos algo com ele — simplesmente porque não aprendemos. Viver à pressa é isto: não assimilar o que seus pais e avós ensinaram. O que os impressionava não nos impressiona. Você não precisa gostar de Carlos Gardel ou usar Gumex. Não é uma questão de gosto, mas de desgosto. Como crescemos acostumados à ruindade, deixamos de reconhecer coisas elementares como indecência, imoralidade e até mesmo o crime. Fala-se em vulgarização da ruindade. E é isso mesmo.
Talvez seus pais e seus avós não tenham sido pessoas excelentes, modelos difíceis de superar mas fáceis de admirar. Acontece. Mesmo que o seu passado pessoal e restrito tenha sido detestável, estender o olhar para além da esfera familiar pode demonstrar a importância do que tento dizer aqui.
Em praticamente todos os setores da cultura, por exemplo, a excelência e a ourivesaria deram lugar a cascas de ovos, panfletos e programas de TV. Tudo se resolve com essa trindade, da arquitetura à música, incluindo aí a filosofia, os relacionamentos amorosos, as artes marciais, o trabalho braçal, as conversas. Hoje as casas são vendidas, não habitadas. Não há mais música, há trilhas sonoras. Há compras e gritaria em vez de silêncio e reverência.
Se excelentes eram nossos antepassados, se fazemos hoje coisas que os envergonhariam, eliminamos nossas crises morais nos afastando deles. É bem simples. Você olha fotos antigas mas não se deixa olhar por elas. Você submete o passado sem se submeter. Você ri consternado por ter comido Cremogema enquanto via o Bozo na TV, mas não ri quando vê o Jornal Nacional ou quando torce por um país do futuro que só se realiza no esporte e no oba-oba. Você não ri e não percebe que isso é muito, mas muito mais tragicômico do que a jequice da sua infância.
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O que a Pixar tem a ver com isso?
Bem, parte destas idéias surgiram depois que vi Ratatouille (sobre o desenho, apenas uma palavra: assista). O que vem ao caso neste momento é o que chamo de paradoxo de Pixar, que é uma espécie de inversão daquilo que George Carlin falava.
A Pixar parou em algum momento dos anos 60. A Paris de Ratatouille não é a Paris atual, mas a Paris de De Gaulle, Deneuve e Belmondo — pouco importa que a história se passe nos dias atuais. A América de Carros e de Os Incríveis é a América de Elvis Presley (o magro), de Kerouac, de Jerry Lewis (o engraçado), de Dave Brubeck. O paradoxo está em fazer uso da alta tecnologia não para mostrar o passado, mas para homenageá-lo, para nos fazer olhar algo que por tempo demais permaneceu esquecido. Não é sobre carros velhos, os anos dourados ou a arte da gastronomia, mas sobre acalentar o coração — algo que o presente não faz e, ao que tudo indica, o futuro também não fará.
Você certamente já viu isto:
Você também já deve ter visto aquele outro comercial da menina da padaria que dá mais um pão à menina pobre. E também aquele do homem que cede a vez no taxi à mãe e sua filha, sob chuva forte.
As peças fazem parte da mesma campanha desenvolvida por uma fundação norte-americana chamada The Foundation for a Better Life. Têm sido veiculadas na TV Globo há algum tempo.
Eu não morro de amores pela publicidade, principalmente quando ela pretende nos dar conselhos sobre comportamento e valores individuais. Apesar disso, é impossível não reconhecer o valor da campanha. Em tempos imorais, quem quer que defenda anonimamente valores indiscutivelmente importantes, sem alarde e com clareza, sem pedir nada em troca além de alguns segundos de atenção, merece meu respeito.
Você viu caráter, generosidade e compaixão, mas não viu integridade e honestidade. Elas simplesmente não foram veiculadas no Brasil. Por que?
(meus agradecimentos ao Wilson pela dica)

Jazz!
Billie Holiday numa performance histórica de Fine and Mellow, filmada em 1957.
Django Reinhardt e seu inigualável violão. Se você pensou em Woody Allen, acertou.
Dave Brubeck e Take Five, em algum momento no início dos anos 60.
Benny Goodman acompanha Peggy Lee em Why don’t you do right?
E em Fantasia 2000, Rhapsody in Blue, de George Gershwin, para ver e ouvir.
Parte 1 - Parte 2

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– Quem? O Nelson Jobim?
– Sim.
– O Nelson Jobim, aquele que salvou a pele do Zé Dirceu?
– Esse mesmo.
– …

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Ferramenta utilíssima para blogueiros: BlogBackupOnline. Você cria uma conta, informa o endereço de seu blog e o serviço faz backups automáticos dele, diariamente.
Para quem, como eu, não tem tempo ou memória para backups periódicos, é uma mão na roda. Aparentemente o BlogBackupOnline funciona com todos os principais serviços de blogs (Wordpress, Wordpress.com, Blogger, Movable Type etc.).

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Vale a pena ouvir Alexandre Garcia, colocando os pingos nos iis a respeito do aquecimento global (link do Rapidshare para download do arquivo MP3). Aparentemente o áudio foi gravado a partir da coluna de Garcia no Bom Dia Brasil.

julho 30, 2007