Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. O aniversário é dele, não seu. Lembre-se disto.
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Sim, é permitido ornar a casa com neve falsa, lâmpadas chinesas e enfeites de garrafa pet, mesmo que a aparência dessas coisas não seja a mais aprazível. Mas estas coisas são o meio, não o fim — e nem sempre este justifica aquele.
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O presépio — a representação do nascimento de Jesus — é uma das formas mais singelas e genuinamente cristãs de marcar a data. Que a arte do presépio não se perca.
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Refeições especiais também são bem-vindas. Mas, como no caso dos ornamentos, moderação e sensatez são pressupostos. Há pessoas que celebram o nascimento de Jesus jogando comida fora depois da ceia ou padecendo problemas gastrointestinais.
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Presentear é uma arte perdida. Você presentearia espontaneamente o seu amigo secreto? O que o nascimento de Jesus tem a ver com a insinceridade ao presentear?
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Aos não-cristãos radicais — também conhecidos como anticristãos — o exercício natalino que eu sugiro é ler o Sermão da Montanha.
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A todos, feliz Natal.
Que a celebração desta data seja também um ritual de gratidão: a Deus, por ter trazido Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo; ao Nazareno, por iluminar nossos corações com seus atos e suas palavras.
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A verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. (Jo 1: 9-14)
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A imagem acima pode ser ampliada com um clique nela. O original está aqui. Trata-se da representação da Natividade, por Sandro Botticelli.

“O que poderia ser melhor para o emirado do que investir nossos lucros com petróleo e gás em algo que nos dará liderança no futuro?”, comenta o diretor da iniciativa, o sultão Al Jaber. (link)
O projeto de Masdar, a primeira cidade totalmente ecológica do mundo, está em andamento. Será nos Emirados Árabes Unidos, perto da capital Abu Dhabi. Tudo está sendo financiado com petrodólares. Apenas não tente explicar a ironia aos apóstolos do aquecimento global.
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Original da montagem tosca aqui.

Divulgaram recentemente uma pesquisa que diz que o homem da Idade Média tinha uma dieta mais saudável do que a do homem atual. A saúde, naturalmente, está relacionada não apenas àquilo que o homem medieval comia (pão, peixe e cerveja), mas também à forma como gastava esse alimento (em trabalhos braçais intensos).
O problema é que a expectativa de vida na Idade Média era de 30 anos. Aos 40 uma pessoa era considerada velha — informação que a própria pesquisa confirma.
Daí vem uma interrogação sobre tudo que se diz e se pesquisa sobre nutrição e sobre longevidade. O que é melhor: viver pouco e viver bem, viver muito e viver mais ou menos, viver muitíssimo (supondo que saibamos o que é isso) e viver mal?
Logicamente, não existe uma relação incontornável entre os elementos de cada um desses binômios. Pode-se viver bem e viver muito. Essa conquista (chamemo-la assim, porque todos queremos viver bem e muito) deve-se ao equilíbrio entre os diversos elementos de que a saúde é composta — e neste ponto falham horrivelmente aqueles que dizem que “você é o que você come”, porque você é o que você come, o que você pensa, o que você faz e sente, e provavelmente você é mais alguma coisa além disso.
Talvez seja mais importante saber por que se vive do que saber como e à base de quê se vive.
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Original da imagem aqui.
Semana passada não pude postar o Música para o domingo porque estava me recuperando de uma gripe devastadora. Não conseguia pensar em procurar músicas no YouTube simplesmente porque não conseguia respirar direito. Felizmente tudo está melhor agora.

A edição de hoje é dedicada a uma única música. A Chaconne, o quinto e último movimento da partita nº 2, para violino, BWV 1004, de Johann Sebastian Bach.

Uma das coisas que mais me chamam a atenção quando circulo pelas ruas de Ilhabela é ver nesta cidade a reprodução de alguns modelos que já foram testados e reprovados em outros lugares. Além disso, chama a atenção também o fato de que nesses casos lhabela, graças às suas características geográficas e humanas, tem todas as condições para desenvolver modelos próprios e bem-sucedidos.
Um bom exemplo disso é o carro. O carro funciona bem em lugares em que não é tomado como gênero de primeira necessidade, mas como uma das diversas possibilidades de transporte. No Japão crianças de 7 ou 8 anos vão à escola de bicicleta e senhoras de 80 vão às compras; disseram-me que em muitas cidades européias também é assim. Em São Paulo, onde a posse e o uso do carro são irracionais, os congestionamentos são permanentes e quase ninguém pensa a sério em ampliar o sistema de ciclovias e melhorar as calçadas. Anda-se e pedala-se pouco porque não há ciclovias e boas calçadas ou não há ciclovias e boas calçadas porque se anda e se pedala pouco?
Apesar do mau exemplo paulistano, em Ilhabela o sistema viário é todo ele pensado em função do carro, um problema cuja solução se resume a taxas e multas – o que sugere que o que falta para o trânsito funcionar bem é dinheiro.
Eu me surpreendo com essas coisas porque em Ilhabela algumas soluções estão dadas. Pedalo com freqüência e recentemente comecei também a caminhar para percorrer as distâncias do dia-a-dia. A pé notei o mesmo que eu noto quando pedalo: entre a Vila e a Barra Velha a topografia é suave e as distâncias são pequenas. Pedalando moderadamente gasta-se de 30 a 35 minutos entre a balsa e a Vila, praticamente o mesmo que se gasta num ônibus (mas no ônibus você gasta dinheiro também). A pé, em 40 minutos, pode-se ir do Perequê até a Vila. Além de tudo, o lugar é muito mais bonito quando você não está dentro de um carro.
É claro que todo motorista tem o direito de usar seu carro como bem quiser. Isto não exclui o seu direito de ter à disposição alternativas de transporte, assim como não exclui o dever do poder público diversificar o sistema viário da cidade. O Código de Trânsito é claro: calçadas e ciclovias são vias públicas. A ciclovia ilhabelense precisa ser concluída, iluminada e sinalizada. As calçadas precisam ser tratadas como vias de circulação. Calçadas e ciclovias podem, em Ilhabela, ter mais importância do que ruas e avenidas. Com boas calçadas e ciclovias mais moradores poderão se habituar a sair para trabalhar de bicicleta ou a pé, como alguns já fazem. Com boas calçadas e ciclovias mais turistas serão estimulados a deixar o carro em casa nos feriados e finais-de-semana. Além disso, a presença constante de pedestres e ciclistas na cidade estimula o uso de outros lugares além da Vila (centro turístico) e Perequê (centro comercial), aliviando o trânsito nesses bairros. Ilhabela tem tudo para ser um lugar em que todos os dias serão “Dia Sem Carro”.
Mais importante do que isso, quando as pessoas circulam mais a pé e de bicicleta do que de carro, a paisagem é vista de outra forma. Ela é apreciada. Atrás do pára-brisa o máximo que se consegue é ver tudo à pressa – e eu não sei em quê isso pode ser bom para Ilhabela. O turista que Ilhabela quer receber é precisamente aquele que está disposto a caminhar e a pedalar, não aquele que busca vias expressas, asfalto liso e boletins de congestionamento.
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Artigo publicado no jornal Canal Aberto em 14 de Dezembro de 2007.
Original da imagem aqui.
Hoje Niemeyer completa 100 anos. Eu, como arquiteto, não posso deixar a data passar em branco. Talvez devesse, porque acho que Niemeyer foi muito bom só até Brasília (e, bom lembrar, não nela toda). Mas vamos lá; anotei algumas coisas pensando na data:
- Niemeyer é a prova (ainda) viva de que o comunismo demagógico (sim, pleonasmo) funciona: aos 100 anos, o arquiteto é unanimidade até entre seus pares; goza fama e, até onde consta, boa saúde; é rico e exala algo do elitismo carioca da época da bossa. Aparentemente é muito bom contrariar com arquitetura aquilo que se prega ideologicamente.
- Aliás, uma das melhores obras do comunista é, ironicamente, um templo religioso — a Catedral de Brasília.
- Mas imagine Niemeyer sem ter saído do eixo Minas Gerais - Rio de Janeiro. Que maravilha.
- Como disse um de meus professores, todos disputam a tapa não um de seus projetos, mas o seu último projeto. Fala-se mais de funeral do que de arquitetura.
- Seja como for, completar 100 anos e continuar projetando não é para qualquer um — discussões sobre qualidade à parte. Feliz aniversário, portanto.
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- A propósito, a imagem aí de cima é um papel de parede. Clica nela para ampliar. O original você encontra aqui.
- Aqui você pode encontrar uma bela galeria de imagens em 360º de algumas obras de Niemeyer.

dezembro 20, 2007

