dezembro 20, 2007

Natal

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natividade botticelli

Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. O aniversário é dele, não seu. Lembre-se disto.

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Sim, é permitido ornar a casa com neve falsa, lâmpadas chinesas e enfeites de garrafa pet, mesmo que a aparência dessas coisas não seja a mais aprazível. Mas estas coisas são o meio, não o fim — e nem sempre este justifica aquele.

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O presépio — a representação do nascimento de Jesus — é uma das formas mais singelas e genuinamente cristãs de marcar a data. Que a arte do presépio não se perca.

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Refeições especiais também são bem-vindas. Mas, como no caso dos ornamentos, moderação e sensatez são pressupostos. Há pessoas que celebram o nascimento de Jesus jogando comida fora depois da ceia ou padecendo problemas gastrointestinais.

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Presentear é uma arte perdida. Você presentearia espontaneamente o seu amigo secreto? O que o nascimento de Jesus tem a ver com a insinceridade ao presentear?

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Aos não-cristãos radicais — também conhecidos como anticristãos — o exercício natalino que eu sugiro é ler o Sermão da Montanha.

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A todos, feliz Natal.

Que a celebração desta data seja também um ritual de gratidão: a Deus, por ter trazido Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo; ao Nazareno, por iluminar nossos corações com seus atos e suas palavras.

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A verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. (Jo 1: 9-14)

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A imagem acima pode ser ampliada com um clique nela. O original está aqui. Trata-se da representação da Natividade, por Sandro Botticelli.

dezembro 19, 2007

E agora, Al Gore?

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al gore captain planet

“O que poderia ser melhor para o emirado do que investir nossos lucros com petróleo e gás em algo que nos dará liderança no futuro?”, comenta o diretor da iniciativa, o sultão Al Jaber. (link)

O projeto de Masdar, a primeira cidade totalmente ecológica do mundo, está em andamento. Será nos Emirados Árabes Unidos, perto da capital Abu Dhabi. Tudo está sendo financiado com petrodólares. Apenas não tente explicar a ironia aos apóstolos do aquecimento global.

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Original da montagem tosca aqui.

dezembro 19, 2007

A saúde do homem medieval e a sua

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medieval food

Divulgaram recentemente uma pesquisa que diz que o homem da Idade Média tinha uma dieta mais saudável do que a do homem atual. A saúde, naturalmente, está relacionada não apenas àquilo que o homem medieval comia (pão, peixe e cerveja), mas também à forma como gastava esse alimento (em trabalhos braçais intensos).

O problema é que a expectativa de vida na Idade Média era de 30 anos. Aos 40 uma pessoa era considerada velha — informação que a própria pesquisa confirma.

Daí vem uma interrogação sobre tudo que se diz e se pesquisa sobre nutrição e sobre longevidade. O que é melhor: viver pouco e viver bem, viver muito e viver mais ou menos, viver muitíssimo (supondo que saibamos o que é isso) e viver mal?

Logicamente, não existe uma relação incontornável entre os elementos de cada um desses binômios. Pode-se viver bem e viver muito. Essa conquista (chamemo-la assim, porque todos queremos viver bem e muito) deve-se ao equilíbrio entre os diversos elementos de que a saúde é composta — e neste ponto falham horrivelmente aqueles que dizem que “você é o que você come”, porque você é o que você come, o que você pensa, o que você faz e sente, e provavelmente você é mais alguma coisa além disso.

Talvez seja mais importante saber por que se vive do que saber como e à base de quê se vive.

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Original da imagem aqui.

dezembro 16, 2007

Música para o domingo

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Semana passada não pude postar o Música para o domingo porque estava me recuperando de uma gripe devastadora. Não conseguia pensar em procurar músicas no YouTube simplesmente porque não conseguia respirar direito. Felizmente tudo está melhor agora.

chaconne ciaccona bach

A edição de hoje é dedicada a uma única música. A Chaconne, o quinto e último movimento da partita nº 2, para violino, BWV 1004, de Johann Sebastian Bach.

Leia na íntegra >>

dezembro 15, 2007

Bom exemplo de mau exemplo

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congestionamento

Uma das coisas que mais me chamam a atenção quando circulo pelas ruas de Ilhabela é ver nesta cidade a reprodução de alguns modelos que já foram testados e reprovados em outros lugares. Além disso, chama a atenção também o fato de que nesses casos lhabela, graças às suas características geográficas e humanas, tem todas as condições para desenvolver modelos próprios e bem-sucedidos.

Um bom exemplo disso é o carro. O carro funciona bem em lugares em que não é tomado como gênero de primeira necessidade, mas como uma das diversas possibilidades de transporte. No Japão crianças de 7 ou 8 anos vão à escola de bicicleta e senhoras de 80 vão às compras; disseram-me que em muitas cidades européias também é assim. Em São Paulo, onde a posse e o uso do carro são irracionais, os congestionamentos são permanentes e quase ninguém pensa a sério em ampliar o sistema de ciclovias e melhorar as calçadas. Anda-se e pedala-se pouco porque não há ciclovias e boas calçadas ou não há ciclovias e boas calçadas porque se anda e se pedala pouco?

Apesar do mau exemplo paulistano, em Ilhabela o sistema viário é todo ele pensado em função do carro, um problema cuja solução se resume a taxas e multas – o que sugere que o que falta para o trânsito funcionar bem é dinheiro.

Eu me surpreendo com essas coisas porque em Ilhabela algumas soluções estão dadas. Pedalo com freqüência e recentemente comecei também a caminhar para percorrer as distâncias do dia-a-dia. A pé notei o mesmo que eu noto quando pedalo: entre a Vila e a Barra Velha a topografia é suave e as distâncias são pequenas. Pedalando moderadamente gasta-se de 30 a 35 minutos entre a balsa e a Vila, praticamente o mesmo que se gasta num ônibus (mas no ônibus você gasta dinheiro também). A pé, em 40 minutos, pode-se ir do Perequê até a Vila. Além de tudo, o lugar é muito mais bonito quando você não está dentro de um carro.

É claro que todo motorista tem o direito de usar seu carro como bem quiser. Isto não exclui o seu direito de ter à disposição alternativas de transporte, assim como não exclui o dever do poder público diversificar o sistema viário da cidade. O Código de Trânsito é claro: calçadas e ciclovias são vias públicas. A ciclovia ilhabelense precisa ser concluída, iluminada e sinalizada. As calçadas precisam ser tratadas como vias de circulação. Calçadas e ciclovias podem, em Ilhabela, ter mais importância do que ruas e avenidas. Com boas calçadas e ciclovias mais moradores poderão se habituar a sair para trabalhar de bicicleta ou a pé, como alguns já fazem. Com boas calçadas e ciclovias mais turistas serão estimulados a deixar o carro em casa nos feriados e finais-de-semana. Além disso, a presença constante de pedestres e ciclistas na cidade estimula o uso de outros lugares além da Vila (centro turístico) e Perequê (centro comercial), aliviando o trânsito nesses bairros. Ilhabela tem tudo para ser um lugar em que todos os dias serão “Dia Sem Carro”.

Mais importante do que isso, quando as pessoas circulam mais a pé e de bicicleta do que de carro, a paisagem é vista de outra forma. Ela é apreciada. Atrás do pára-brisa o máximo que se consegue é ver tudo à pressa – e eu não sei em quê isso pode ser bom para Ilhabela. O turista que Ilhabela quer receber é precisamente aquele que está disposto a caminhar e a pedalar, não aquele que busca vias expressas, asfalto liso e boletins de congestionamento.

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Artigo publicado no jornal Canal Aberto em 14 de Dezembro de 2007.

Original da imagem aqui.

dezembro 15, 2007

Niemeyer, 100 anos

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catedral de brasilia niemeyer

Hoje Niemeyer completa 100 anos. Eu, como arquiteto, não posso deixar a data passar em branco. Talvez devesse, porque acho que Niemeyer foi muito bom só até Brasília (e, bom lembrar, não nela toda). Mas vamos lá; anotei algumas coisas pensando na data:

- Niemeyer é a prova (ainda) viva de que o comunismo demagógico (sim, pleonasmo) funciona: aos 100 anos, o arquiteto é unanimidade até entre seus pares; goza fama e, até onde consta, boa saúde; é rico e exala algo do elitismo carioca da época da bossa. Aparentemente é muito bom contrariar com arquitetura aquilo que se prega ideologicamente.

- Aliás, uma das melhores obras do comunista é, ironicamente, um templo religioso — a Catedral de Brasília.

- Mas imagine Niemeyer sem ter saído do eixo Minas Gerais - Rio de Janeiro. Que maravilha.

- Como disse um de meus professores, todos disputam a tapa não um de seus projetos, mas o seu último projeto. Fala-se mais de funeral do que de arquitetura.

- Seja como for, completar 100 anos e continuar projetando não é para qualquer um — discussões sobre qualidade à parte. Feliz aniversário, portanto.

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- A propósito, a imagem aí de cima é um papel de parede. Clica nela para ampliar. O original você encontra aqui.

- Aqui você pode encontrar uma bela galeria de imagens em 360º de algumas obras de Niemeyer.

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