
Conclamo todos os amantes de música clássica a aumentar o volume de seus equipamentos de som.
Ouçam as Variações Diabelli no máximo. Ensurdeçam seus vizinhos com o L’Estro Armonico. Quando estacionarem o carro na praia, abram o porta-malas e coloquem os Concertos de Brandenburgo para que todos possam ouvi-los num raio de três quilômetros — não esqueçam de realçar os trompetes do segundo concerto e os graves do sexto. Mostrem que vocês conhecem A Flauta Mágica e dêem o merecido destaque à ária da Rainha da Noite. Para as madrugadas, O Fortuna, Imperatrix Mundi, de Carmina Burana, lógico. Manhãs tranqüilas exigem A Sagração da Primavera.
Isso não deve resolver o problema crônico que combina música ruim (ruim, insuportável, de doer mesmo, pior que bater na avó no dia do aniversário dela), farta oferta de tecnologia (ontem os pesados dois-em-um sobre os ombros, hoje os celulares) e decibéis em excesso (motores a óleo diesel desregulados parecem silenciosos perto de certos sistemas de som automotivo). Na verdade o mundo pode piorar, ficar barulhento ao ponto de se tornar uma confusão de sons indiscerníveis. Mas, no mínimo, as pessoas que acham música alta um negócio muito bacana e sociável terão menos motivos para ficar limitadas ao funk, ao axé e ao pagode.
Talvez assim eu tenha alguma chance de sobreviver a mais uma temporada de verão.
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Original da imagem aqui.
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Comentários
11 comentários to “Campanha da Fraternidade 2008”

janeiro 5, 2008
Se fosse dado a teorias conspiratórias, diria que essa união de péssimo gosto musical com necessidade de atenção visa o fim do raciocínio e da leitura. Só é possível raciocinar ou ler nas silenciosas madrugadas dos dias úteis. Nas manhãs e tardes, tornaram-se tarefas impossíveis. Fins de semanas? Esqueça!
Acredite, tudo detalhadamente planejado para sabotar o pensamento.
Gostei da idéia, se não puder apresentar a Música (com M maiúsculo) ao povo, ao menos me vingo do meu vizinho, o que confesso não é um sentimento nobre.
Não sou elite… ao menos não me considero como tal, apesar de acreditar que tenha tido educação da mesma forma.
O ano novo em Ilhabela esse ano, foi a cópia xerox de um reveillon em Praia Grande…
Falta de respeito aos montes, som alto (e som péssimo) como por exemplo calipso, funk, e etc.
Que tipo de educação teve um cidadão, que acha que som alto e de péssima qualidade, é atraente?
Well… talvez o mesmo tipo de educação que teve aquela “perdiga” que vai dançar ao som do cidadão…
Enfim…
Meu comentário de começo de ano em Ilhabela foi: Acabaram com o meu “parquinho”… Nunca vi Ilhabela tão depredada e mal frequentada como esse verão.
Bacio =*
[...] Â Estou tentado a fazer isso. [...]
A ideia é boa ( principalmente para mim que sou vizinha de um tal de anjinho dos teclados.- Alguem já ouviu falar dele? duvido) o problema é que os outros vizinhos não tem culpa. Neste momento estou contando…. ele já ouviu 37 vezes a MESMA “música” e o pior, não ouve inteira, só um trecho repetidamente. Isso todos os dias, o dia todo. Socorro
37 vezes a mesma música todos os dias?!? Deve haver algo no Código Penal a respeito disso. Se eu descobrir, aviso.
Creio que houve um milagre aqui em casa! Postei um comentário sobre o meu vizinho barulhento (das 37 vezes a mesma música). Isso foi na quinta-feira. Saibam que na sexta à tarde, ele surpreendentemente baixou o volume e fechou a janela, e desde então tem tocado em um volume civilizado. Creio que quando ele foi fazer alguma busca por seu nome, encontrou o texto. Uma dica, caso saibam o nome do barulhento, cite-o sempre.No meu caso, acho que funcionou.
Agradeço a oportunidade. É muito bom ter onde falar sem precisar arrumar encrenca.
Se ele estiver lendo isto, espero que ele saiba que tornou o mundo um pouquinho mais palatável e civilizado livrando seus ouvidos daquela tortura.
E, sempre que quiser, sirva-se da área de comentários deste site.
Obrigado, Teka.
Desulpe-me de voltar a esse assunto, eu gostaria de comentar sobre outros assuntos(que são tantos e tão bons)mas não tenho mais neurônios para isso, os que não morreram ficaram surdos e bobinhos, coitados.
O silêncio que havia, era só 1ºde Abril. O tal Anjinho dos Teclados voltou das profundezas com sua música horrenda e me fez lembrar que Lúcifer também foi Anjinho, e veja no que deu… Obrigada pelo espaço. Teka
Como já disse Cazuza: ” Eu queria ter uma bomba”
Teka
Eu pensaria em coisas mais criativas e sutis, algo que toque fundo a alma e a mente dessas pessoas. Cartas anônimas sempre são impactantes. Ou telefonemas (não anônimos, naturalmente). O tom exageradamente educado e polido costuma impressionar pessoas desse tipo.
Eu não sei exatamente o que pode ou não ser adequado — planos B são sempre divertidos. Como no seu caso é apenas uma pessoa que causa seu martírio, a coisa fica menos difícil. Acho.