março 10, 2008
Ecologia, uma explicação didática
Arquivado em eco-lógica, longa-metragem | 2 comentários

Tomei minha vacina contra o assunto «ecologia» quando um jipe passou perto de mim jogando fumaça negra para todos os lados. Quando a fumaça se dissipou um pouco pude ver nele um adesivo com uma mensagem do tipo «proteja o meio ambiente».
A segunda dose, mais poderosa, veio com a leitura de Verdadeiro versus falso, de Alan Neil Ditchfield, que mostrou que pelo menos metade dos discursos pró-meio-ambiente é papo furado para vender camisetas e obter poder econômico e político. O destaque crescente que a questão do aquecimento global tem recebido na mídia reforça essa idéia, como este site já mostrou em várias ocasiões. Al Gore, por exemplo, não economiza @#$%&£¢ nenhuma na mansão dele — tudo que ele quer é que você economize energia, deixe seu carro em casa e obedece a ONU, convenientemente manipulada por ambientalistas.
Apesar das empulhações ecológicas tão freqüentes, existe um lado muito palpável que pode ilustrar a questão ambiental de uma forma mais clara. Abominável não é defender o meio ambiente, mas submeter a própria sobrevivência a essa ação, sob o pretexto mesmo de sobreviver (v. Princípio da Precaução). Excluído esse risco — porque eu não vou deixar de usar o carro quando ele for necessário — imaginemos o seguinte.

Acompanhar o noticiário político no Brasil é mais ou menos assim: você se escandaliza com o roubo de pãezinhos enquanto tem gente assassinando o padeiro, envenenando a farinha e explodindo a padaria.
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Original da imagem aqui.

A receita para se dar bem é simples: basta fazer algo que ninguém faz.
Ok, pergunte: como um sujeito ordinário pode fazer algo que ninguém faz? (parto do pressuposto, pouco respeitável mas razoável, de que, se você tem interesse nisso, você é uma pessoa ordinária; quem não é ordinário e/ou medíocre não tem motivos para se preocupar com o próprio sucesso)
É uma dúvida sensata e a resposta é ainda mais simples: fazendo algo que qualquer pessoa sabe fazer mas que não faz mais por razões ordinárias.
Por exemplo, as pessoas dão cada vez menos atenção umas às outras; muito em breve dar atenção à pessoa que está diante de você poderá ser considerado uma habilidade tão exuberante que as pessoas não hesitarão ao presentear o sujeito atento com grandes quantidades de dinheiro apenas por causa de sua atenção. Muito em breve gestos simples e universalmente conhecidos tornar-se-ão raros não por sua raridade intrínseca, mas pelo simples fato de que ninguém mais quer realizá-los. As pessoas ainda saberão fazê-los e eles continuarão sendo valorizados por muitas gerações, mas ninguém os fará por preguiça, por incapacidade de domar o ego, por pura boçalidade.
Disse «bom dia»? R$50 para você. Cedeu o lugar e/ou a vez a uma pessoa mais velha sem se importar se ela tem 6 ou 60 anos a mais que você? Mais R$100 de presente.
Pode parecer absurdo, mas já existe amigo profissional. Eis um segmento promissor.
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No livro «Sidarta», de Hermann Hesse, há uma passagem em que um homem perguntava ao ex-príncipe quais eram suas habilidades. Ele respondeu: meditar, jejuar, esperar. O homem ficou surpreso e perguntou por que esses atos poderiam ser considerados habilidades. Sidarta explicou que o jejum era útil para lidar com períodos de escassez; a meditação proporcionava a serenidade necessária para tomar decisões com sabedoria e precisão; e a paciência, que é o que lhe permite esperar, torna a disciplina palatável e permite obter qualquer coisa.
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Obcecadas por ser alguém, as pessoas esquecem de ser aquilo que elas jamais poderiam deixar de ser. E assim o mundo vai-se tornando um pouquinho menos humano a cada dia.
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Original da imagem aqui.
