junho 1, 2008
Lição de casa
Arquivado em outros autores, sapiens
Tags: JB, entrevista, olavo de carvalho
Ler esta entrevista com o filósofo, jornalista e escritor Olavo de Carvalho no JB de hoje.
Você tem que primeiro formar uma elite intelectual capaz de educar o restante do país. O governo vem com essa história de educar todo mundo, mas isso não funciona. Não é possível. (…) Se você não cria uma tradição de educação, a educação não pega. Se você não tem essa tradição, não tem o amor à cultura, ao conhecimento. A educação deve ser muito séria e começar por uma elite, que vai irradiando esse valor. Quem vai dar a educação para todos? A educação que se dá ao povo hoje não deveria ser dada a ninguém. Oferecer essa educação para meia dúzia de pessoas é um insulto. Para milhares, é um crime.
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Comentários
8 comentários to “Lição de casa”

O programa de governo na educação não deve ficar limitado à educação clássica para uma elite. Embora haja muitos problemas na educação, as escolas e universidades não são um fracasso total. Se fossem fechadas, isso não teria boas conseqüências. Países desenvolvidos investiram bastante em educação básica, e o Brasil deve seguir o mesmo caminho para não ficar ainda mais para trás.
Então a solução é concentrar para só então distribuir? Acho que já vi essa história…
se eu entendi a idéia do filósofo, ela é bem diferente «daquela» história — porque não há muito sentido em falar de «concentração de conhecimento».
A questão fundamental é a formação das pessoas que formarão o país. Quem educa os educadores?
A «elite» a que o filósofo se refere é justamente essa: intelectuais, professores, cientistas, pensadores, estadistas, escritores — as pessoas que efetivamente educam o país. Hoje essas pessoas são quase tão burras quanto as pessoas que são formadas por elas.
A questão é que quanto mais concentramos alguma coisa mais fadados estamos a lutar pela manutenção da mesma. Isto é fato.
Esta proposta só seria realmente viável se juntamente com ela fosse desenvolvido uma formação social, que estabelecesse um sentimento coletivo, de amor ao proximo. Algo que o filosofo descosiderou e atribuiu às entidades religiosas.
Acredito que a deficiência na formação de educadores esteja exatamente no objetivo para o qual eles estão sendo educados. E não na burrice propriamente dita.
A verdade é que somos educados para mantermos tudo exatemte como está. E enquanto a visão da probeza - seja ela espiritual ou material - não nos afertar, continuaremos a seguir com as nossas vidas, ignorando o problema.
Abraço
1) Acho que o filósofo não desconsiderou a questão coletiva, apenas destacou o perigo de deixá-la nas mãos do governo.
2) A diferença importante entre o conhecimento e outros bens é que o conhecimento não se concentra. Ninguém estuda e se aperfeiçoa intelectualmente com esse fim. Quem possui conhecimento o usa e ao usá-lo ele será propagado. Mesmo que o use estritamente em benefício próprio, ele se propagará.
3) A burrice a que me referia está precisamente no direcionamento da educação — afinal, é possível ser muito burro mesmo sendo PhD. Veja por exemplo a filosofia e sociologia nas escolas, que são nomes bonitos dados a algo que não passa de doutrinação ideológica.
4) O problema da educação «para mudar o mundo» — o oposto da educação «para manter tudo como está» — é que ela implica uma presunção perigosa sobre o que deve ser mudado. Com esse tipo de educação não se formam homens sábios, formam-se ditadores, prontos a modelar o mundo conforme seus planos e desejos.
Obrigado.
Abraço.
O conhecimento em sua essência não se acumula, temos este entedimento comum, no entanto diversas são os meios de se monipolizar a utilização de seus benefícios - seja por meios de patentes, royalties e outras diversas maneira existentes para este fim.
Um outro ponto que vale ressaltar é a perda de conhecimento no decorrer do tempo - seja pela inexperiência e falta de compreensão do receptor ou pelo próprio tempo em si. Isso, é claro, se o conhecimento não provir diretamente da fonte. Por outro lado, quando a fonte é comum, uma vasta gama de interpretação é possível; e o conhecimento integral poderá sempre ser alcançado, o que garate consequentemente uma posibilidade maior de se alcançar o bem comum.
Tendo em vista estes aspectos é que firmo a minha tese de que a escolarização de um elite para só então propagar tal conhecimento não seria viável.
***
Tens toda razão a respeito da educação “para mudar o mundo” e vários são os exemplos em que poderia se fundamentar. A questão é que os extremos sempre representam algo ruim e o ideal sempre é buscar o equilíbrio. Perdão se passei a idéia de que esta seria a solução.
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Alías, parabéns pelo blog. Sempre que puder estarei dando uma passadinha por aqui.
Abraço
O problema está nos usos do conhecimento, não tanto em sua difusão e em sua perpetuação. Receio que isto, contrariando o desejo de muitos, não possa ser controlado. A ciência, por exemplo, faz bombas e faz remédios. Existe algo além (ou aquém) do conhecimento que determina que ele seja usado para causar danos ou trazer benefícios.
A partir daqui talvez a discussão se torne eminentemente moral — e muito mais complexa.
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Obrigado pelos cumprimentos, pelos comentários e pelas visitas constantes, Tenkai. Seja sempre bem-vindo.
Abraços.
[...] recentes Christian: Nesse ponto convergimos, Tenkai. O problema está nos usos do conhecimento, não tantoTenkai: O conhecimento em sua essência não se acumula, temos este entedimento comum,Christian: [...]