julho 30, 2008

Cápsulas do tempo

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carta antiga

Quando eu era criança, algumas pessoas gostavam de fazer suas próprias cápsulas do tempo. Um jornal do dia, alguns objetos, fotos e outras coisas que pudessem transmitir ao seu eu futuro uma noção de como as coisas eram naquele tempo — tudo era reunido num pacote e enterrado ou guardado no fundo de uma gaveta. Os mais modestos faziam cápsulas para serem abertas 10 anos mais tarde. Outros as faziam pensando nas próximas gerações.

Os tempos mudaram e uma parte importante da vida de uma pessoa acontece na internet, à frente de um computador. Não ouço mais ninguém falar em cápsulas do tempo, mas novos recursos estão à disposição daqueles que quiserem se aventurar. Existem na internet diversos serviços desse tipo; destaco dois que não são específicos para esse fim mas que servem bem para enviar ao futuro informações sobre o passado.

Leia na íntegra >>

julho 25, 2008

Poluição sonora

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casas bahia - sac
(Clica para ampliar)

Se houver resposta, publicarei aqui.

julho 24, 2008

Arquitetura e mau humor

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casa costeira
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– O bom arquiteto é aquele que ao menos vislumbra a possibilidade de não construir. Ainda que ele sempre conclua que é melhor construir — por razões que não vêm ao caso discutir agora —, ajuda muito se ele considerar a opção contrária. Explicações a seguir.

– O provérbio alemão diz: “Cala-te ou diz qualquer coisa melhor que o silêncio”. Analogamente, em arquitetura é interessante que haja sempre a chance de não construir se a obra ou projeto não se mostram melhores do que a área que se pretende modificar. Se sua arquitetura não é capaz de tornar o lugar melhor, por que construir?

– A qualidade da arquitetura deve ser avaliada com base não apenas naquilo que ela é — porque um quarto sempre será melhor do que o relento para quem o habita —, mas também naquilo que ela propõe, modifica e ocupa. Um lugar nunca será o mesmo depois que recebeu uma nova casa; ela o modifica tanto quando é influenciada por ele.

– Com base no que foi dito até agora, não é heresia alguma dizer que a Casa Kaufmann (vulga Casa da Cascata) é uma obra de gosto duvidoso, beirando o cafona. É preciso ser muito cafona para olhar uma cachoeira e concluir que ela ficará melhor com algumas lajes de concreto e umas colunas de pedra. Alguém aí tem uma foto da cascata sem a Casa da Cascata?

– Uma casa deve tornar o entorno melhor e não apenas tornar-se melhor por causa dele. Apesar disso, o umbiguismo de arquitetos e engenheiros não leva em consideração o impacto de suas obras na paisagem; via de regra, toda casa com vista para o mar exige que o mar tenha vista para ela, na expressão muito precisa de um amigo atento aos micos construídos na cidade em que vivo.

– Séculos se passaram e boa parte da arquitetura continua se resumindo em fincar bandeiras e marcar territórios. Pode não ser um problema se pensarmos em lugares tenebrosos, como certos recantos da Grande São Paulo (à parte a discussão sobre os fatores que os tornaram tenebrosos), mas vendo isto começo a pensar que nem todos lugares precisam de bandeiras, construções ou gente.

julho 20, 2008

Música para o domingo

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Egberto Gismonti


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Música brasileira em sua melhor forma. Egberto Gismonti é um mestre comparável a Villa-Lobos. Saiba por quê:

Com o próprio mestre ao piano ou ao violão:
Sete Anéis, uma das melodias mais bonitas criadas por Egberto.
Salvador. Se alguém conseguir descobrir, diga-me quantos dedos Egberto tem.
Karatê — porque fazer música tem que ser divertido.
Maracatu. Aqui, preste atenção ao tempero dado ao piano.

Com outros intérpretes:
Água e Vinho, em arranjo maravilhoso para dois violões.
Frevo, uma das obras mais famosas de Egberto, em versão para piano e violão.

julho 17, 2008

E agora?

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lotus
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Você nunca sabe se deve colocar todas as fichas num único número ou se deve dividi-las em vários números — correndo o risco de dividir assim sua fé em várias partes e perder inevitavelmente.

Você nunca sabe se aquela é a melhor direção a ser seguida e o resultado obtido com a escolha lamentavelmente exclui a comparação com o resultado que seria obtido caso você seguisse a outra direção.

Você nunca sabe se é feliz o suficiente, se deve aceitar serenamente tudo o que tem — inclusive as coisas ruins — e se este é o melhor dos mundos.

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A embalagem de batata frita sugere que o comensal se pergunte o que ele pode fazer para tornar o mundo melhor. Se era para levar a sério a questão, um bom começo seria não comprar batatas fritas — principalmente aquelas de saquinhos, que têm sal, gordura e corante em excesso e geram lixo. Mas, stricto sensu, o melhor começo seria ignorar baboseiras desse calibre.

Enquanto a maioria das pessoas se pergunta como fazer um mundo melhor, você, que é um pouco mais esperto, segue fazendo pequenas coisas melhores a cada dia: uma refeição melhor, uma postura melhor, um trabalho melhor, uma voz e uma fala melhores, um sono melhor, um pensamento melhor. Estas coisas você conhece. Você pode não saber de um monte de coisas, como eu disse no início, mas você sabe muitas coisas e parece adequado e bom dedicar-se a conhecê-las cada vez mais e torná-las cada vez melhores. Se hoje, por exemplo, você consegue caminhar 10km sem se cansar, talvez amanhã você consiga chegar a 12 ou 15km e isso será muito bom.

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Não existe bem suficiente. Nada é suficientemente bom. Nenhum caminho é finito e é bom que você saiba se é finito o caminho em que você se encontra hoje. Ascese — acredite, isto é importante — inclui fazer algo que continuará quando você se for.

A possibilidade constante de auto-superação é mais importante do que a auto-superação mesma, geralmente isolada, superestimada e pontual. Você não precisa quebrar seus próprios recordes, mas precisa — porque assim se constrói uma vida — dedicar-se a todo instante como se esse recorde pudesse ser quebrado a qualquer momento ou apenas como se não houvesse recordes a serem quebrados. A glória que você busca não é a da auto-superação, mas a da prática, do esforço, da ascensão, pequena mas constante, lenta mas firme.

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“A mente faz parte daquilo que é percebido e não tem poder próprio de perceber” — Yoga Sutra 4.19, Patañjali.

julho 15, 2008

O Estado em duas versões

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leviatã
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- Um deputado que propõe — a sério — a redução do Estado.

- A readmissão de funcionários públicos ineficientes encarada como “reparação histórica”. Tudo isso — inclusive o cafezinho — às nossas custas.

Só não digo que prefiro a primeira sem restrições porque em meu mundo de sonhos a proposta seria totalmente desnecessária; trata-se de um sintoma, já que dificilmente ela se tornará lei, devidamente aprovada e aplicada. A segunda me fez tatear a mesa em busca do meu alka-seltzer.

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