
Ouço alguém dizer: “deve-se ir aonde o coração manda”. Mas o que é o coração senão uma desculpa para caprichos, lirismo e imprudência?
Quem conduz o indivíduo são as pernas, cujos movimentos são determinados pelo cérebro. O coração faz o sangue chegar a cada uma dessas partes do corpo, sem indicar ou determinar direções.
Entendo, é claro, que quem sustenta a frase que abre este post toma o coração como metáfora para desejos profundos e irresistíveis, para o tipo de emoção que leva as pessoas a fazer coisas inimagináveis ou inesperadas. Mas esse coração — ou essa metáfora — nunca nos diz para ficar em silêncio, na penumbra dos primeiros minutos da manhã. Ele nunca nos mostra o valor da rotina, da trivialidade e das coisas simples. Esse coração busca riscos, sobressaltos, montanhas russas e penhascos.
Na verdade, esse coração simbólico deveria ser mandado para um monastério ou uma escola de boas maneiras, submetido a rotinas de jejum, oração e trabalhos braçais. Se dependesse dele, todos morreríamos belos, fortes, exultantes — e jovens.
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Imagem obtida aqui.

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